Nas ruas de terra batida de Quintino,
o despertar do pequeno Arthurzico

Tadeu de Aguiar

Ele primeiro herdou o nome, Arthur. Depois, de certa forma, também o talento. Zico, nascido Arthur Antunes Coimbra, levaria o nome do avô materno, seu Arthur Ferreira da Costa e Silva. Português radicado no Brasil desde os anos 30, o velho Arthur era um artista. Não com os pés, como se consagraria a futura geração da família. O velho Arthur fazia pinturas em cerâmicas.

Nascido na velha casa da Rua Lucinda Barbosa, em Quintino, em 3 de março de 1953, o pequeno Arthur foi o caçula dos sete filhos de seu Antunes e dona Matilde. Mamou no peito até os seis anos de idade, ficou com chupeta até os dez. Nessa época, já não era mais o Arthur, mas simplesmente Zico. A mudança se deu por conta de dona Ermelinda, uma parente portuguesa, de forte sotaque. Assim, Arthurzinho virou Arthurzico... Zico.

Era um menino esperto, travesso, mas obediente e que tinha o carinho dos outros irmãos. Devido à diferença de idade, todos o protegiam. Antunes, o mais velho, já falecido, era com quem Zico tinha mais afinidade. Um segundo pai.

Desde pequeno, a bola já exercia forte fascínio sobre Zico. Era o presente que mais apreciava no aniversário ou no Natal. Na rua de terra batida ou nos terrenos baldios das proximidades de sua casa, ele moldou o talento que no futuro lhe renderia fama e reconhecimento pelo mundo. Também pudera, seguia os caminhos dos irmãos.Todos jogavam futebol.

Com algum exagero, pode-se dizer que nascera numa família de craques. Antunes, o mais velho, foi um bom atacante com a camisa do América e do Fluminense. Edu brilhou ainda mais: é considerado o maior jogador da história do América, e brilhou numa época em que o América disputava títulos. Jogou ainda no Flamengo e até na seleção brasileira.

- Quando nos perguntavam, a mim e ao Antunes, quem era o melhor jogador da família, dizíamos que o melhor estava por vir, referindo-se a Zico. Desde pequeno, ele já mostrava um talento incomum. Sabíamos que seria craque - lembra Edu.

O tempo mostrou que estavam certos. O menino Arthur fez, com os pés, uma das mais belas aquarelas do futebol mundial.