Vitórias de um Vencido

Já é noite, preciso me libertar,
lá fora as estrelas perderam o brilho,
esta cada vez mais escuro,
Isso... que dor... mas... estou conseguindo,
estou me libertando... meu corpo queima,
ao efeito das drogas.
Meu estômago queima, minha cabeça gira,
tenho a sensação de arrependimento....
Dentro dessa treva estou só
virando um acaso sistemático do pó.
Mas que metamorfose é essa?
Sinto-me transformar em embrião novamente.
Preste a rebentar como um vulcão...
estou passando pelo meu nascimento novamente,
mas que emoção!
Mas tal sensação passa...
e vem a mim, uma ânsia, como
protesto de uma raça vencida, de
sensibilidade solitária!
No Céu, onde se vê o Homem,
brilha, vingadora e esclarecedora,
as manchas subjetivas de meu ser, na
espionagem fatídica dos astros!
Esses sentinelas espirituosos estão a me espreitar,
nas estradas na noite alta...
Eles entram todos na caverna de meu ser, dessa
consciência humana fechada!
Essas mãos carinhosas me fazem medo...
Horríveis agregações, assinaladas pelo meu medo
Trevas e dor...
Massa palpável e éter, desconforto,
nesse feto vivo, aborto...
Toda a unidade de meu ser se resume!
Tristeza e doença, sou eu apenas eu....
Aprendo.... Aprendo a morte....
aprendo a me deitar nessa cama de espinhos
onde meu sangue jorra aos baldes...
A minha morte, cortejo a todos que ajudaram
a tomar o veneno...
Pai, me perdoe!...
A Noite se finda e meu ser também....
Adeus...