Excedo lustros seis por mais três anos
XXXVIII
Excedo lustros seis por mais três anos,
Mas bem que juvenis meus anos sejam,
Já murcham de agonia, e já me alvejam
Não raro na cabeça os desenganos.
Os fados, meus verdugos, meus tiranos,
Que de Pandora o cofre em mim despejam
Folgam de que os mortais nas cãs me vejam
Triste amostras de freqüentes danos.
Parece que devia formosura
Vingar-me dos cruéis comigo irados,
E da ternura o prêmio ser ternura.
Mas, Nise, (ó vãos extremos desgraçados!)
Na trança infausta branquear procura
O resto escuro, que escapou aos fados.
|