Socorre, doce Márcia, o triste Elmano

XXXVII

Tu és meu coração, tu és meu nume;
Não vive para mim do mundo o resto;
A morte, a vida, os céus, meu fado atesto,
Meu fado, que em teus olhos se resume.

Mas com freqüente, ríspido queixume
Os mimosos ouvidos te molesto;
Dias de ouro, e de amor(ah!) toldo, empesto
Co(m) as trevas mais que horríveis do ciúme.

Olho-te as graças, olho-te a beleza,
E cuido que enfeitiças por meu dano
Quantos entes abrange a natureza!

Socorre, doce Márcia, o triste Elmano;
Oh! Que infernal tormento o da incerteza!
Ao menos é só morte o desengano.