Morri de ingratidões, matou-me Isbela

XXVIII

Meus olhos atentai no meu jazigo,
Que o momento da morte está chegando;
Lá soa o corvo, intérprete do fado;
Bem o entendo, bem sei, fala comigo:

Triunfa, Amor, gloria-te, inimigo;
E tu, que vês com dor meu duro estado,
Volve à terra o cadáver macerado,
O despojo mortal de um triste amigo:

Na campa, que o cobrir, piedoso Albano
Ministra aos corações, que Amor flagela,
Terror, piedade, aviso e desengano:

Abre em meu nome este epitáfio nela:
¨Eu fui, ternos mortais, o terno Elmano;
Morri de ingratidões, matou-me Isbela¨.