Não dês, encanto meu, lamentações
ao vento
XXXIV
Não dês, encanto meu, não dês, Armia,
Ternas lamentações ao surdo vento;
Se amorosa impaciência é um tormento,
Com ledas esperanças se alivia.
A rigorosa mãe, que te vigia
Em vão nos prende o lúcido momento
E em que solto, adejando o pensamento,
Sobe ao cume da glória, e da alegria.
As fadigas de Amor não valem tanto
Como a doce, a furtiva recompensa
Que outorga, inda que tarde, aos ais, e ao pranto.
Amantes estorvar, que astúcia pensa?
Tem asas o desejo, a noite um manto,
Obstáculos não há, que o Amor não vença.
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