Noite de maio

I

No céu dos trópicos
P'ra sempre brilha,
O noite esplêndida,
Que as ondas trilha.
Do amor nas pálpebras
Acende o raio.
O noite cúmplice!
Noite de maior

II

Vê... que astros lúcidos
Na azul clareira:
São flores níveas
Da laranjeira.
De noiva chamam-te
Em cada raio.
Noiva puríssima
Do mês de maio.

III

Do vento os hálitos
Erguem-te as tranças,
Nos seios rolam-te
Em loucas danças.
São meus anélitos,
É meu desmaio.
Ó noite cúmplice!
Noite de maio!

IV

Estrela pálida,
Moça divina!
Donzela tímida
Sob a neblina!
Teu véu empresta-me,
Teu longo saio,
Para as espáduas
Da flor de maio.

V

Nas praias nítidas
Têm voz as vagas...
São bocas trêmulas
Lambendo as plagas.
O oceano lúbrico
Beija-te o seio...
Meus versos canta-lhe,
Vaga de maio.

VI

O espelho etéreo
Das nuvens nasce,
Reflete em júbilos
A tua face.
Seu riso angélico
No céu guardai-o.
Espelho límpido
Da flor de maio.

VII

Há risos tépidos
Entre as palmeiras;
Beijam-se lânguidas
Fadas trigueiras.
Da selva o cântico
Além cantai-o,
Ó gênios cúmplices
Do céu de maio.

VIII

A lua imerge-se
Na etérea zona
A fronte inveja-te,
Dela Amazona.
Fronte de mármore
Que empresta um raio
À c'roa fúlgida
Do mês de maio.

IX

No azul dos trópicos
Suspende o passo,
As horas céleres
Prende ao regaço...
Os astros ligam-me
Num louro raio!
Sê nossa cúmplice...
Noite de maio! ...