A Águia: adesão e dissidência (1912/1914)

Fernando Pessoa realiza em 1912 a sua estreia literária na revista A Águia, agora na sua segunda fase e sob a direção literária de Teixeira de Pascoaes. A sua estréia tem início no nº 4 desta publicação, com uma série de estudos em torno da Nova Poesia Portuguesa, publicados entre 1912 e 1913.

Pessoa sente-se atraído pela doutrina subjacente a esta publicação e adere ao patriotismo, nacionalismo, espiritualismo e intenção de despertar e expalhar a alma portuguesa, que os orientadores desta publicação - Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra - detentores de um prestígio considerável na cena literária portuguesa, proclamavam. O amor patriótico de Fernando Pessoa e as suas reflexões sobre Portugal iriam culminar, como se sabe, na Mensagem.

No entanto, em breve surgem discordâncias de Pessoa em relação à doutrina e a alguns dos colaboradores desta publicação; estas discordâncias fazem-se acompanhar por um ampliar dos horizontes do poeta para campos muito diversos daqueles que se cultivavam pelos poetas de A Águia. Em 1913 escreve um artigo para a revista Teatro no qual critica Afonso Lopes Vieira, um dos colaboradores da revista A águia, a propósito do seu livro Bartolomeu Marinho . O afastamento de Fernando Pessoa deste grupo de poetas reunidos em torno do órgão da Renascença Portuguesa culmina em finais de 1914, quando esta publicação mostra um profundo desinteresse em publicar o seu drama estático O Marinheiro. Esta ocorrência marca o rompimento do poeta com a revista.

Fonte: http://www.ufp.pt/ - Universidade Fernando Pessoa - Portugal