Atividade Literária

A Águia, a poesia modernista, o Orpheu e a Mensagem

O ano de 1912 significou para o poeta a sua estréia literária, através da publicação em A Águia, órgão da Renascença Portuguesa, do seu primeiro artigo, A nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada. A este se seguirão outros artigos sobre a poesia portuguesa, publicados nessa revista entre 1912 e 1913. O ano de 1912 foi também o ano em que travou conhecimento com aqueles que mais tarde se iriam reunir em tornou da revista Orpheu, nomeadamente Mário de Sá-Carneiro e Almada Negreiros. Também esse grupo acompanha Fernando Pessoa nos seus percursos pelos ismos que ele criou e que marcaram profundamente a poesia modernista portuguesa deste século. Depois do grupo do Orpheu, Fernando Pessoa persegue a sua atividade literária, já sem aquele espírito de produção e participação em grupo nos destinos da cultura portuguesa, objetivo que, todavia, prossegue sozinho nos diversos projetos que vai realizando e que culmina com a edição da Mensagem. Além desta obra, publica, em vida, os seus poemas ingleses e projetava ainda a publicação do Cancioneiro, que como ele próprio diz é uma coletânea (coleção) de Canções, isto é, de poemas com a emoção suficiente para que possam ser cantadas ou musicadas. Num rascunho para o prefácio do Cancioneiro, onde se encontra reunida grande parte da poesia ortónima, Álvaro de Campos, deixando entrever a manifestação do subjectivismo pessoano, a sua despersonalização bem como a sua poética de fingimento, diz o seguinte: Fixar um estado de alma, ainda que o não seja, em versos que o traduz impessoalmente; descrever as emoções que se não sentiram com a própria emoção com que se sentiram - é este o privilégio dos que são poetas, se o não fossem, ninguém os acreditava. Há poetas que fazem isto conscientemente, como Fernando Pessoa. Há poetas que fazem isto inconscientemente, como Fernando Pessoa. (Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, p. 429)

Fonte: http://www.ufp.pt/ - Universidade Fernando Pessoa - Portugal