Perfil Biográfico

"Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos, não sei se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, consaguinidade com o mistério das coisas, choque aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, ou se há outra significação para isso mais cômoda e feliz. Seja o que for, era melhor não ter nascido, porque, de tão interessante que é a todos os momentos, a Vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, e tudo isso devia ser qualquer coisa de mais parecida com o que penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida." - (Obra Poética, p. 342)

1887

19 de setembro de 1887, nascimento de Ricardo Reis

1888

No dia 13 de junho, às 15h20, sob o signo de Gêmeos, nasce Fernando António Nogueira Pessoa, no 4. andar esquerdo do n. 4 do Largo de São Carlos, em Lisboa, Portugal. São seus pais Maria Magdalena Pinheiro Nogueira, natural da Ilha Terceira, nos Açores, de vinte e seis anos, e Joaquim de Seabra Pessoa, natural de Lisboa, de trinta e oito anos, modesto funcionário público do Ministério da Justiça e crítico musical do jornal Diário de Notícias.

1889 - 1890

Data do nascimento de Alberto Caeiro (16/04/1889) e Álvaro de Campos.

1893

Em janeiro nasce seu irmão Jorge. Em 13 de julho, Pessoa fica órfão do pai, Joaquim de Seabra Pessoa, que morre vítima de tuberculose pulmonar, com 43 anos de idade. A família, depois de leiloar parte de seus pertences, muda-se de residência.

1894

Em janeiro morre o seu então, único irmão, Jorge. A mãe do poeta, D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa, conhece o comandante João Miguel Rosa. Nesse período, Fernando Pessoa cria seu primeiro heteronômio, Chevalier de Pas.

1895

Escreve sua primeira poesia, À Minha Querida Mamã. Nesce mesmo ano, a 30 de dezembro, sua mãe casa-se por procuração com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, na colônia inglesa de Natal.

1896

Parte, no início do mês de janeiro, com sua mãe e um tio avô para Durban, na África do Sul. Em outubro nasce sua irmã Henriqueta Madalena.

1897

Faz o primário na escola de freiras irlandesas da West Street. Alcança a equivalência de cinco anos letivos em apenas três anos.

1898

Nasce em outubro sua irmã Madalena Henriqueta, a segunda filha do casal.

1899

Em abril ingressa na Durban High School, matricula-se na High Scholl, Form II-B. Em Junho passa para a Form II-A. Em Dezembro ganha o Form Prize na Form II-A. Cria o heterônimo Alexsander Search, em nome do qual escreve cartas para si mesmo.

1900

Em Janeiro, nasce o 3ª filho do casal, Luís Miguel. Em Junho, Fernando Pessoa passa para a Form III e é premiado em Francês

1901

Em junho é aprovado com distinção no seu primeiro exame, o "Cape School Higler Certificate Examination." Nesse mês morre sua irmã Madalena Henriqueta. Escreve as primeiras poesias em inglês. Em agosto parte com a família para Portugal, em viagem de férias. Permanecem em Lisboa por alguns meses.

1902

Nasce em janeiro, em Lisboa, seu irmão João Maria, quarto filho do casal. Em maio, Fernando Pessoa visita a Ilha Terceira, nos Açores, onde vivem seus parentes maternos. Escreve a poesia Quando Ela Passa. Sua família regressa em junho para Durban. Pessoa volta sozinho para a África do Sul, em setembro. Matricula-se na Commercial School. Tenta escrever romances em inglês.

1903

Frequenta o curso noturno da Commercial School. Durante o dia, prepara-se nas disciplinas humanísticas para o exame de admissãoà Universidade. Em novembro presta o exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Obtém uma classificação relativamente baixa, mas ganha o prêmio "Queen Victoria Memorial Prize" pelo melhor ensaio de estilo inglês. A essa classificação concorriam 899 candidatos.

1904

Ingressa novamente na Durban High School, para continuar o Headmaster Nicolas. Frequenta a Form IV (correspondente ao primeiro ano de um curso universitário). Lê Shakespeare, Milton, Byron, Shelley, Keats, Tennyson e Poe. Interessa-se por Carlyle. Aprofunda sua cultura clássica. Escreve poesia e prosa em inglês. Surgem os heteronômios Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Em agosto nasce sua irmã Maria Clara. Em dezembro publica no jornal da escola um ensaio crítico intitulado Macaulay. Faz o "Intermediate Examination in Arts" na Universidade do Cabo, obtendo bons resultados. Com esse exame terminam seus estudos na África do Sul.

1905

Volta sozinho e definitivamente para Lisboa. Mora em casa de parentes (a avó Dionísia e as duas tias, na Rua da Bela Vista,17) e continua a escrever poesias em inglês.

1906

Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa. Em outubro, a mãe e o padrasto voltam a Lisboa de férias, e Fernando Pessoa vai morar com eles e os irmãos. Em dezembro morre, em Lisboa, sua irmã Maria Clara.

1907

Sua família retorna a Durban, e pessoa vai viver com uma avó louca, Dionísia, e suas tias solteiras. Desiste do curso de Letras, sem concluir o primeiro ano. Lê os filósofos gregos e alemães, os decadentes franceses e La Dégénérescence, de Max Nordau, que segundo ele "destrói parte de toda esta influência." Em agosto morre a avó Dionisia, deixando-lhe uma pequena herança. Com o dinheiro, Pessoa monta uma tipografia, a empresa Íbis - Tipografia e Editora - Oficinas a Vapor, que mal chega a funcionar. Começa a alimentar a grande ambição de tornar-se poeta e voltar-se exclusivamente para a criação de uma possível obra. Recusa a oferta de bons empregos por os mesmos incluírem obrigações de horários que poderiam servir de empecilho à realização de sua obra literária.

1908

Começa a trabalhar como correspondente estrangeiro de firmas comerciais sediadas em Lisboa. Vai morar sozinho num quarto alugado. Influencia-se pelos poetas portugueses Antero de Quental, Junqueira Freire, Cesário Verde, Antônio Nobre, Almeida Garret e Antônio Correia de Oliveira. Escreve os primeiros fragmentos de Fausto. Neste ano são assassinados o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro.

1910

Escreve poesia e prosa em português, inglês e francês., com declarada influência dos simbolistas franceses e de Camilo Pessanha. A 5 de outubro é proclamada a República. Em dezembro é fundada a revista A Águia.

1911

Aceita traduzir para o português uma "Antologia de Autores Universais", dirigida por um editor americano e destinada a ser publicada no Brasil.

1912

Em janeiro é fundada no Porto a Renascença Portuguesa; a revista A Águia torna-se o órgão desse movimento, e é dirigida por Teixeira de Pascoaes. Em abril Fernando Pessoa estréia como crítico literário: "publica na A Águia dois polêmicos artigos, A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente e Psicologicamente Considerada", em que prevê o surgimento de um novo "supra-Camões". Seus textos sucitam uma vasta controvérsia que se exprimiu sobretudo no jornal República, através de um inquérito literário, além de desagradar os próprios participantes do movimento. Conhece o poeta Mário Sá-Carneiro, que se tornará seu melhor amigo. Em outubro, Sá-Carneiro parte para Paris e matricula-se na Sorbonne. Tem início a febril correspondência entre os dois amigos, e através dela será revelada, a Pessoa, a insurreição futurista de Merinetti (iniciada em 1909, quando o italiano Filippo Tommaso Marinetti lança na Itália e na França o primeiro dos seus mais de trinta manifestos), a primeira manifestação de vanguarda de nosso século e que desencadearia todo o Modernismo, e o Cubismo. Nasce na mente do poeta, Ricardo Reis. Após viver algum tempo num rés-do-chão da Rua da Glória, muda-se para a Rua do Carmo, 18-1º, e depois vai morar com a sua tia, D.Ana Luísa Nogueira de Freitas, na Rua Passos Manuel, 24-3ºEsq.

1913

Período de intensa atividade criadora e crítica do polemista. Continua colaborando para A Águia e também para a revista Teatro. Escreve Epithalamium, Hora Absurda, O Marinheiro. É um período intenso de discussão e troca de idéias com os jovens artistas de sua geração. Conhece o pintor Almada Negreiros, Armando Côrtes Rodrigues, os brasileiros Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho, e Santa Rita Pintor. Formaria com eles e Sá-Carneiro o grupo explosivo que introduziria o Modernismo em Portugal.

1914

Publica em A Renascença, número único, Pauis e O Sino da Minha Aldeia, sob o título de Impressões do Crepúsculo. Em 8 de março, considerado para Pessoa o dia "Triunfal" de sua vida, concebe seu famoso heterônimo, Alberto Caeiro. Em nome deste escreve trinta dos quase cinquenta poemas do Guardador de Rebanhos. Em seguida, e quase em resposta a Caeiro, escreve em seu próprio nome os seis poemas de Chuva Oblíqua. Inventa, sucessivamente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sá-Carneiro regressa a Portugal e traz consigo toda a efervescência dos "ismos" europeus. Pessoa e Carneiro juntos criam duas correntes literárias, o "Paulismo" (sugerido a partir do nome Pauis, de composição de Pessoa), e o "Sensacionismo". Em outubro desse ano têm início as reuniões na Cervejaria Jansen, do grupo de que sairá Orpheu, revista que, com apenas dois números, será a responsável pela introdução da vanguarda em Portugal, e dos heterônimos pessoanos. Fernando Pessoa atravessa uma profunda crise depressiva e escreve desconexos e fragmentados trechos de seus Livro do Desassossego, de Bernardo Soares, um semi-heterônimo que lhe surgiu. Inicia-se a Primeira Grande Guerra Mundial.

1915

Vive algum tempo na Leitaria Alentejana, devido à partida da tia Anica para a Suiça. Sai em março o primeiro número de Orpheu, acolhido com irritação e zombaria pela crítica e pelo público, trazendo entre outras coisas O Marinheiro, de Pessoa, e Opiário e Ode Triunfal, de Álvaro de Campos. São seus diretores Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. Os outros colaboradores são Mário de Sá-Carneiro, Alfredo Pedro Guisado, José de Almada Negreiros e Armando Côrtes Rodrigues. Sai em junho o segundo número de Orpheu, tendo como diretores Mário de Sá-Carneiro e o próprio Fernando Pessoa. É publicado deste, o poema Chuva Oblíqua, e de Álvaro de Campos, a Ode Marítima. Em julho, o jornal A Capital publica uma nota sarcástica contra o grupo da Orpheu, e Álvaro de Campos, em resposta, envia a seu diretor uma carta irreverente. Alguns membros da revista, indignados, também discordam da atitude de Álvaro de Campos e abandonam Orpheu; Sá-Carneiro e Almada Negreiros também discordam da atitude de Álvaro de Campos. Sá-Carneiro volta para Paris e em setembro escreve para Pessoa, avisando que, por motivos econômicos, o projeto da Orpheu 3 não poderá sair. Data possível da morte de Alberto Caeiro.

1916

Pessoa publica na revista Exílio o poema Hora Absurda. Em 26 de abril, Sá-Carneiro suicida-se em Paris, no Hotel de Nice. Deixa um bilhete a Pessoa: " Um grande, grande adeus do seu amigo Mário de Sá-Carneiro." Fernando Pessoa muda frequentemente de habitação. Sempre sozinho, de quarto em quarto alugado. Em setembro escreve a seu amigo Côrtes Rodrigues, anunciando-lhe a próxima saída do terceiro número de Orpheu, mas isso jamais acontecerá. Em dezembro publica no número único de Centauro, de Luís de Montalvor, os catorze sonetos de Passos da Cruz. Almada Negreiros publica o Manifesto Anti-Dantas.

1917

O governo português intervém na Guerra, enviando um corpo expedicionário para a frente francesa. Em seus textos pessoais, o poeta deixa refletidas suas angústias acerca do conflito mundial. Sai em novembro o primeiro e único número de Portugal Futurista, com poemas de Fernando Pessoa e o Ultimatum, de Álvaro de Campos. Alguns meses antes, Almada Negreiros (editor da revista) faz uma conferência: Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX, no Teatro República. Reside na Rua Bernardim Ribeiro, 11, 1º.

1918

Pessoa publica os poemas ingleses Antinous e 35 Sonnets, que em setembro serão objeto de uma discreta atenção da crítica inglesa no Times e no Glasgow Herald. Portugal passa por uma profunda crise política. Morrem Santa-Rita Pintor e Amadeo de Sousa Cardoso.

1919

Escreve os Poemas Inconjuntos, de Alberto Caeiro, com a data fictícia de 1913/1914, por coerência diacrônica com a biografia do heteronômio, morto em 1915. Falece seu padrasto, o cônsul João Miguel Rosa, em Pretória. Pessoa dedica-se a escrever ensaios políticos. Publica em Acção, orgão do Núcleo de Ação Nacional, os textos Como Organizar Portugal e A Opinião Pública. Ricardo Reis exila-se no Brasil.

1920

Conhece a funcionária do comércio, Ophélia Queiroz, a quem começa a namorar. Sua mãe e irmãos voltam a Portugal; o poeta, então, vai viver com elesna rua Coelho da Rocha. Participa frequentemente, com o nome de A.A. Crosse, dos concursos de charadas da revista inglesa Times. Em outubro atravessa uma grande depressão psíquica e pensa em se internar numa casa de saúde. Em novembro interrompe o namoro com Ophélia, mas não definitivamente.

1921

Funda a Editora Olisipo, de desastrosa carreira comercial. Nela publica os seus English Poems I e II e English Poems III, e A Invenção do Dia Claro, de Almada Negreiros.

1922

Colabora, com frequencia, na revista Contemporânea. Publica em seu primeiro número a novela O Banqueiro Anarquista. Sua editora publica a segunda edição das Canções, de Antônio Botto.

1923

A Olisipo lança o folheto Sodoma Divinizada, de Raul Leal, que é alvo do ataque moralizador da Liga dos Estudantes de Lisboa. O texto é apreendido por ordem do Governo Civil, junto com as Canções, de Antônio Botto. Álvaro de Campos publica, em defesa dos amigos, os artigos, Sobre Um Manifesto de Estudantes e Aviso por Causa da Moral. Continua sua colaboração na revista Contemporânea. Assina, em julho, o protesto de intelectuais portugueses contra a proibição feita pela censura a Mar Alto, de Antônio Ferro.

1924

Sai em outubro o primeiro número da revista Athena, que Pessoa dirige com o pintor Ruy Vaz. Início do Surrealismo na França.

1925

Sai o quinto número e último número de Athena. No dia 17 de março falece em Lisboa a mãe do poeta.

1926

Em 28 de maio dá-se o golpe militar que instala a ditadura em Portugal. Nesse ano, Pessoa dirige junto com o seu cunhado, o coronel Francisco Caetano Dias, a revista Comércio e Contabilidade, onde publicará o artigo A Essência do Comércio.

1927

Sai em março, em Coimbra, o primeiro número de Presença "Folha de Arte e Crítica". No terceiro número da revista, o poeta José Régio reconhece em Pessoa o Mestre da nova geração.

1928

Antônio Oliveira Salazar é nomeado Ministro das Finanças. Pessoa publica os panfletos O Interregno, Defesa e Justificativa da Ditadura Militar em Portugal, e o artigo O Provincianismo Português. Junto com alguns amigos funda uma nova editora, A Solução Editora, que terá pouca duração.

1929

Organiza com Antônio Botto a Antologia de Poetas Portugueses Modernos. Retoma o namoro com Ophélia, e pensa, inclusive, na possibilidade de se casar. Sai o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Pessoa, de autoria de João Gaspar Simões.

1930

Recebe, em Lisboa, a visita do famoso mago inglês Aleister Crowley, que depois desaparece em circunstâncias misteriosas em Cascais, na Boca do Inferno. Sobre o episódio, Pessoa é entrevistado no jornal Notícias Ilustradas. Intenso período de criação heteronímica.

1931

Publica, na Presença, a tradução do Hino a Pã, de Aleister Crowley. Escreve uma carta a João Gaspar Simões, na qual teoriza suas opiniões sobre a "ficção" em literatura e manifesta um substancial e irônico desacordo em relação às teorias freudianas.

1932

Concorre a um lugar de conservador-bibliotecário no Museu-Biblioteca Condes de Castro Guimarães, em Cascais, mas não é aceito. Em novembro publica na revista Fama o artigo O Caso Mental Português. Colabora com a Presença, onde publica Iniciação bem como fragmentos do Livro do Desassossego.

1933

Passa por nova crise psicológica (neurastenia), mas não desiste do trabalho literário. Copia os originais de Indícios de Oiro, de Mário de Sá-Carneiro, a fim de ser editado na Presença.

1934

Concorre com seu livro Mensagem, em dezembro, ao prêmio "Antero de Quental", do Secretariado de Propaganda Nacional. ganha o segundo lugar por uma pretextuosa questão de números de páginas. O primeiro prêmio é conferido ao sacerdote Vasco Reis, pelo volume Romaria. O júri é composto por Alberto Osório de Castro, Mário Beirão, Acácio de Paiva e Teresa Leitão de Barros.


"Diário de Lisbôa", suplemento literário, 6 de Dezembro de 1935

1935

Em janeiro escreve uma extensa carta a Adolfo Casais Monteiro, um dos integrantes da Presença, onde explica a gênese da heteronimia. No dia 28 de novembro é internado no Hospital São Luís dos Franceses, onde lhe é diagnosticada uma cólica hepática. Fernando Pessoa morre no dia 30 desse mesmo mês, deixando uma última frase escrita em inglês:

"I Know not what tomorrow will bring."

Fonte: Fernando Pessoa: Uma Fotobiografia, Maria José Lancastre, Casa da Moeda - Centro de Estudos Pessoanos, 3. edição.