Papel em branco
(Para Fernanda)

Quando começo a escrever
No branco do papel...
Tudo parece desaparecer.
Mas de repente, visível.

Surge como que por encanto...
Deixo rolar o meu pranto.
Por alguém que já partiu,
E que tanto me feriu.Mágoas à parte,
Por vezes faço disso,
A minha arte
Poder fazer um reboliço...

Perguntando a rima
Como se pode fazer?
Uma frase mínima,
E sentir prazer?

Papel em branco...
Não choro mais o meu pranto.
Já se foi., é terminado!
Mas ainda sinto, o coração dilacerado.

Posso escrever.
Posso dizer.
Posso contar,
E por vezes me calar.

Minha dor é muda...
Me sinto desnuda
Diante do papel em branco.
Só ele, entende meu pranto.

(10/12/00)

Esta poesia é dedicada a minha filha Fernanda Machado Beltrão de Castro, que morreu em 1995, com 17 anos.

Rosy Beltrão