A procura do ninho

Pássaro solitário, perdido do seu bando.
Voa sem destino,
delirante, desvairado, sem rumo.
Cansado, abatido,
sedento... mergulha,
perdido no vento.
Desce verticalmente,
sem se importar onde vai dar.

(Por pouco não se estatela no chão)
Encontra um charco, bebe água, sacia sua sede,
E chora...
Chora de saudades.
Saudades do que não conhece,
do que nunca viu
Mas, percebe presente, sente,entende.
Tem certeza que existe!
Mesmo que não o tenha visto,
por um segundo sequer.
Não é como um qualquer. Ele sabe...
Sabe que está lá.
Sua alma lhe diz.

(Pobrezinho, está tão infeliz.)
Mas num rompante, altivo e orgulhoso
Seu coração dispara.
Pensa alto: porque não?
Chega de aflição, de martírio, mortificação!
Redobradas forças,
seiva de suas entranhas.
Alça vôo, tão breve como o pensamento
Suas asas arremetem-se,
batendo velozmente,
Enxuga seu pranto,
voa como que por encanto.
Não sabe de onde vem,
a força que o mantém.
Já sabe seu caminho.
Seu coração lhe diz,
Passou de aprendiz,
voa feliz.
Pensamento risonho,
não mais tristonho.
Qual alma de curumim,
voa,voa
na noite sem fim.

27/12/00

Rosy Beltrão