Poema nº três em busca da essência

Do amor como do fruto. (Sonhos dolorosos das ermas madrugadas acordando...)

Nas savanas a visão dos cactos parados à sombra dos escravos
– e as negras mãos no ventre luminoso das jazidas.
Do amor como do fruto. (A alma dos sons nos algodoais das velhas landes...)

Êxtases da terra às manadas de búfalos passando
– ecos vertiginosos das quebradas azuis
O Mighty Lord! Os rios, os pinheiros e a luz no olhar dos cães – as raposas brancas no olhar dos caçadores
Lobos uivando, Yukon! Yukon! Yukon! (Casebres nascendo das montanhas paralisadas...)
Do amor como da serenidade. Saudade dos vulcões nas lavas de neve descendo os abismos
Cantos frios de pássaros desconhecidos. (Arco-íris como pórticos da eternidade...)
Do amor como da serenidade. Nas planícies infinitas o espírito nas asas do vento
O Lord of Peace!

Do amor como da morte. (Ilhas de gelo ao sabor das correntes...)
Ursas surgindo da aurora boreal como almas gigantescas do grande-silêncio-branco
Do amor como da morte. (Gotas de sangue sobre a neve...)
A vida das focas continuamente se arrastando para o não-sei-onde

– cadáveres eternos de heróis longínquos

O Lord of Death!

Vinícius de Moraes