Novo Aeon (1975)


Back
Tente Outra Vez Go
Rock do Diabo Go
A Maçã Go
Eu Sou Egoísta Go
Caminhos Go
Tu És o MDC da Minha Vida Go
A Verdade Sobre a Nostalgia Go
Para Nóia Go
Peixuxa (O Amiguinho dos Peixes) Go
É Fim de Mês Go
Sunseed Go
Caminhos II Go
Novo Aeon Go















Tente Outra Vez
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Veja
Não diga que a canção está perdida
Tenha fé em Deus, tenha fé na vida
Tente outra vez

Beba
Pois a água viva ainda tá na fonte
Você tem dois pés para cruzar a ponte
Nada acabou, não não não

Tente
Levante sua mão sedenta e recomece a andar
Não pense que a cabeça agüenta se você parar
Há uma voz que canta, há uma voz que dança
Há uma voz que gira
Bailando no ar

Queira
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo
Vai, tente outra vez

Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez

Volta ao Início


Rock do Diabo
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Me dê um porco vivo
Prá eu encher a minha pança
Dez quilos de alcatra
Com muqueca de esperança
Diabo
O diabo usa capote
É rock, é toque, é fuck diabo
Foi ele mesmo quem me deu o toque

Enquanto Freud explica as coisas
O diabo fica dando os toques
Existem dois diabos
Só que um parou na pista
Um deles é o do toque
O outro, é aquele, é do exorcista
O diabo usa capote
É rock, é toque, é fuck diabo
Foi ele mesmo quem me deu o toque

Mamãe disse a Zequinha
Nunca pule aquele muro
Zequinha respondeu: Mamãe
Aqui tá mais escuro

O Diabo é o pai do Rock
O Diabo é o pai do Rock

Então everybody rock
O diabo é o pai do rock
Enquanto Freud explica
O diabo dá os toques

Volta ao Início


A Maçã
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar
Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita é tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa num altar

Quando eu te escolhi
Prá morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar

Volta ao Início


Eu Sou Egoísta
(Raul Seixas e Marcelo Motta)

Se você acha que tem pouca sorte
Se lhe preocupa a doença ou a morte
Se você sente receio do inferno
Do fogo eterno, de Deus, do mal
Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão

Se o que você quer em sua vida é só paz
Muitas doçuras, seu nome em cartaz
E fica arretado se o açúcar demora
E você chora, cê reza, cê pede... implora...
Enquanto eu provo sempre o vinagre e o vinho
Eu quero é ter tentação no caminho
Pois o homem é o exercício que faz

Eu sei... sei que o mais puro gosto do mel
É apenas defeito do fel
E que a guerra é produto da paz
O que eu como a prato pleno
Bem pode ser o seu veneno
Mas como você vai saber... sem tentar?

Se você acha o que eu digo fascista
Mista, simplista ou anti-socialista
Eu admito, você tá na pista
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou ista, eu sou ego
Eu sou egoísta
Por que não...

Volta ao Início


Caminhos
(Raul Seixas, Paulo Coelho e Eládio Gilbraz)

Você me pergunta
Aonde eu quero chegar
Se há tantos caminhos na vida
E pouca esperança no ar
E até a gaivota que voa
Já tem seu caminho no ar
O caminho do fogo é a água
O caminho do barco é o porto
O do sangue é o chicote
O caminho do reto é o torto
O caminho do bruxo é a nuvem
O da nuvem é o espaço
O da luz é o túnel
O caminho da fera é o laço
O caminho da mão é o punhal
O do santo é o deserto
O do carro é o sinal
O do errado é o certo
O caminho do verde é o cinzento
O do amor é o destino
O do cesto é o cento
O caminho do velho é o menino
O da água é a sede
O caminho do frio é o inverno
O do peixe é a rede
O do pio é o inferno
O caminho do risco é o sucesso
O do acaso é a sorte
O da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte

Volta ao Início


Tu És o MDC da Minha Vida
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Tu és o grande amor da minha vida
Pois você é minha querida
E por você eu sinto calor
Aquele seu chaveiro escrito love
Ainda hoje me comove
Me causando imensa dor
Eu me lembro
Do dia em que você entrou num bode
Quebrou minha vitrola e minha coleção de Pink Floyd
Eu sei que eu não vou ficar aqui sozinho
Pois eu sei que existe um careta, um careta em meu caminho
Ah! Nada me interessa nesse intante
Nem o Flávio Cavalcanti
Que ao teu lado eu curtia na TV
Nesta sala hoje eu peço arrego
Não tenho paz nem tenho sossego
Hoje eu vivo somente a sofrer
E até o filme que eu vejo em cartaz
Conta nossa história e por isso eu sofro muito mais
Eu sei que dia a dia aumenta o meu desejo
E não tem Pepsi-Cola que sacie
A delícia dos teus beijos
Ah! Quando eu me declarava você ria
E no auge da minha agonia eu citava Shakeaspeare
Não posso sentir cheiro de lasanha
Me lembro logo das Casas da Banha
Onde íamos nos divertir
Eh! Hoje meu Sansui-Garrard-Gradiente
Só toca mesmo embalo quente
Pra lembrar do teu calor
Então, eu vou ter com a moçada lá no Pier
Mas pra eles é careta
Se alguém, se alguém fala de amor
Na faculdade de Agronomia
Numa aula de energia
Bem em frente ao professor
Eu tive um chilique desgraçado
Eu vi você surgindo ao meu lado
No caderno do colega Nestor
Por isso, é por isso que de agora em diante
Pelos cinco mil alto-falantes
Eu vou mandar berrar o dia inteiro
Que você é
O meu Máximo
Denomindador
Comum

Volta ao Início


A Verdade Sobre a Nostalgia
(Raul Seixas e Pailo Coelho)

Tudo quanto é velho eles botam pr'eu ouvir
E tanta coisa nova jogam fora sem curtir
Eu não nego que a poesia dos 50 é bonita
Mas todo o sentimento dos 70 onde é que fica?

Eu vou fazer o que eu gosto...
Eu vou
Dos 50 bonita-ta
Mas os 70 onde é que ele está?
Por isso a nostalgia eu tô curtindo sem querer
Porque está faltando alguma coisa acontecer
Mamãe já ouve Beatles
Papai já deslumbrou
Com meu cabelo grande
Eu fiquei contra o que eu já sou

Eu vou fazer o que eu gosto
É mãe com os Beatles e o pai falô
Logo então eu fiquei contra o que eu já sou
O rock hoje em dia já mudou, é outra coisa
É por isso que eu corto o meu cabelo

Na curva do futuro muito carro capotou
Talvez por causa disso é que a estrada ali parou
Porém, atrás da curva
Perigosa eu sei que existe
Alguma coisa nova
Mais vibrante e menos triste

Eu vou fazer o que eu gosto
Atrás da curva do perigo existe
Alguma coisa bem mais nova e menos triste

Volta ao Início


Para Nóia
(Raul Seixas)

Quando esqueço a hora de dormir
E de repente chega o amanhecer
Sinto uma culpa que eu não sei de que
Pergunto o que eu fiz?
Meu coração não diz
Eu sinto medo

Se eu vejo um papel qualquer no chão
Tremo, corro e apanho para esconder
Medo de ter sido uma anotação que eu fiz
Que não se possa ler
E eu gosto de escrever
Mas, mas eu sinto medo

Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro
banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre
Sempre, sempre
Eu estava com Deus
Eu tava sempre com Deus...

Minha mãe me disse há um tempo atrás
Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz
Mas eu não via Deus
Achava assombração
Mas, mas eu tinha medo

Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro, com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
Dedico esta canção
Para Nóia
Com amor e com medo

volta ao Início


Peixuxa (O Amigo dos Peixes)
(Raul Seixas)

Entra pelas portas do fundo
Do Oceano Atlântico, um cara
De baleia, terno e gravata
Seu nome é Peixuxa
É amigo dos peixes
É gente e respira debaixo do mar
Mar, mar, mar, mar
Ma, ma, ma, ma, mas sempre com um charuto na boca
Vai andando debaixo d'água
Vai até o Mediterrâneo
Pois tem um encontro
Com hora marcada
Com a lua cheia para um lindo jantar
Tem gente estranha por debaixo do mundo
Tal qual Peixuxa, baixo, gordo, salgado
Tem gente estranha trabalhando nos fundos
Que não é peixe mas não morre afogado
Do, do, do, do, do, do
Ele é cordial com os peixes
Dá bom dia quando é de dia
Boa noite quando é de noite
Peixuxa amavelmente dá maresia
Seu Peixuxa antigamente
Foi chamado de deus dos mares
Inda guarda em casa um tridente
E quando eu olho
O mar com petróleo
Eu rezo a Peixuxa que ele fisgue essa gente

Volta ao Início


É Fim de Mês
(Raul Seixas)

É fim de mês, é fim de mês, é fim de mês
Eu já paguei a conta do meu telefone
Eu já paguei por eu falar e já paguei por eu ouvir
Eu já paguei a luz, o gás, o apartamento
Kitnete de um quarto que eu comprei a prestação
Pela Caixa Federal, au au au
Eu não sou cachorro não, não, não, não
Eu liquidei, eu liquidei, eu liquidei
A prestação do paletó, do meu sapato, da camisa
Que eu comprei pra domingar com meu amor
Lá no Cristo Redentor, ela gostou e mergulhou
E o fim do mês vem outra vez
Eu já paguei o Pegue-Pague, meu pecado
Mais a conta do rosário que eu comprei pra mim rezar
Eu também sou
Filho de Deus
Se eu não rezar
Eu não vou pro céu
Já fui pantera, já fui hipi beatnick
Tinha símbolo da paz dependurado no pescoço
Porque nêgo disse a mim que era o caminho da salvação
Já fui católico, budista, protestante
Tenho livros na estante, todos têm a explicação mas não achei, mar procurei
Pra você ver que eu procurei
Eu procurei fumar cigarro Hollywood que a televisão
Me diz que é o cigarro do sucesso
Eu sou sucesso, eu sou sucesso
No posto Esso eu encho o tanque do carrinho
Bebo em troca um cafezinho, cortesia da matriz
There's a tiger no chassis
Do fim do mês, já sou freguês
Eu já pague o meu pecado na capela
Sob a luz de sete velas que eu comprei
Pro meu senhor
Do Bonfim olhar por mim
Tô terminando a prestação do meu buraco
Meu lugar no cemitério pra não me preocupar
De não mais ter onde morrer
Ainda bem que no mês que vem
Posso morrer, já tenho o meu tumbão, o meu tumbão quem me deve tem que pagar
Eu consultei e acreditei
No velho papo do tal psiquiatra que te ensina
Como é que você vive alegremente, acomodado
E conformado de pagar tudo calado
Ser bancário ou empregado, sem jamais se aborrecer
Ele só quer, só pensa em adaptar
Na profissão, seu dever é adaptar
Eu já paguei a prestação
Da geladeira
Do açougue fedorento
Que me vende carne podre
Que eu tenho que comer
Que engolir sem vomitar
Quando às vezes desconfio
Se é gato, jegue ou mula
Aquele talho de acém
Que eu comprei pra minha patroa
Pr'ela não não não me apoquentar
É fim de mês

Volta ao Início


Sunseed
(Raul Seixas e Spacey Glow )

You were born at the ending
As the curtain came down
I can see you're confused girl but it's all right
It's only the chimes
Announcing a new time

You see now
Boats are cruising the deserts
Oceans cracked by the heat
People drowning in raindrops
But it's all right
It's not a defeat
Stand on your feet

Right now the sun doesen't shine
He's loaded on wine
Though I can laugh in the storm
Because I was born

When the sun used to
Shine in June

Semente do Sol (Sunseed)

Você nasceu no final
Quando a cortina desceu
Vejo que você está confusa, menina
Mas está tudo bem
É somente o badalar dos sinos
Anunciando um novo tempo

Barcos cruzando desertos
Oceanos rachados pelo calor
Gente se afogando em gotas de chuva
Mas, tudo bem
Isso não é uma derrota

Agora mesmo
O sol não brilha
Está cheio de vinho
Porém eu posso sorrir na tempestade
Porque eu nasci quando o sol brilhava
Em junho

Volta ao Início


Caminhos II
(Raul Seixas, Paulo Coelho e Eládio Gilbraz)

Assim como
Todas as portas são diferentes
Aparentemente
Todos os caminhos são diferentes
Mas vão dar todos no mesmo lugar
Sim

O caminho do fogo é a água
Assim como
O caminho do barco é o porto
O caminho do sangue é o chicote
Assim como
O caminho do reto é o torto
O caminho do risco é o sucesso
Assim como
O caminho do acaso é a sorte
O caminho da dor é o amigo
O caminho da vida é a morte

Volta ao Início


Novo Aeon
(Raul Seixas, Cláudio Roberto e M. Motta)

O sol da noite agora está nascendo
Alguma coisa está acontecendo
Não dá no rádio nem está
Nas bancas de jornais

Em cada dia ou em qualquer lugar
Um larga a fábrica, outro sai do lar
E até as mulheres, dita escravas
Já não querem servir mais
Ao som da flauta da mãe serpente
No para-inferno de Adão na gente
Dança o bebê
Uma dança bem diferente

O vento voa e varre as velhas ruas
Capim silvestre racha as pedras nuas
Encobrem asfaltos que guardavam
Histórias terríveis

Já não há mais culpado nem inocente
Cada pessoa ou coisa é diferente
Já que assim baseado em que você pune
Quem não é você?
Ao som da flauta da mãe serpente

Querer o meu não é roubar o seu
Pois o que eu quero é só função de eu
Sociedade Alternativa
Sociedade Novo Aeon
É um sapato em cada pé
Direito de ser ateu ou ter fé
Ter prato entupido de comida que cê mais gosta
É ser carregado ou carregar gente nas costas
Direito de ter riso, de prazer
E até direito de deixar Jesus sofrer

Volta ao Início
Volta ao Menu de Discos