Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás (1976)


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Meu Amigo Pedro Go
Ave Maria da Morte Go
Quando Você Crescer Go
O Dia da Saudade Go
Eu Também Vou Reclamar Go
O Homem Go
Os Números Go
Cantiga de Ninar Go
Eu Nasci Há 10 Mil anos Atrás Go
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Canto para Minha Morte
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará o ouvir o som dos meus passos
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos,
E que nunca mais eu vou abrir;
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa,
Pode ser que esta pessoa esteja me vendo pela última vez;
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que tenho de fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio de um copo de uísque,
Na música que eu deixei para compor amanhã,
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher que me foi destinada,
Que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar
Vestida de cetim
Pois em qualquer lugar
Esperas só por mim
E no teu beijo
Provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo
Mas tenho que encontrar

Vem
Mas demore a chegar
Eu te detesto e amo
Morte, morte, morte que talvez
Seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida?
Existem tantas... Um acidente de carro
O coração que se recusa a bater no próximo minuto
A anestesia mal aplicada
A vida mal vivida
A ferida mal curada
A dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido
Ou até quem sabe,
O escorregão idiota num dia de sol
E a cabeça no meio fio
Ó morte, tu que és tão forte
Que matas o gato, o rato e o homem
Vista-se com tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado
Que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu;
Porque eu continuarei neste homem
Nos meus filhos
Na palavra rude que eu disse para alguém que eu não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

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Meu Amigo Pedro
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Muitas vezes, Pedro, você fala
Sempre a se queixar da solidão
Quem te fez com ferro, fez com fogo, Pedro
É pena que você não sabe não

Vai pro seu trabalho todo dia
Sem saber se é bom ou se é ruim
Quando quer chorar vai ao banheiro
Pedro as coisas não são bem assim

Toda vez que eu sinto o paraíso
Ou me queimo torto no inferno
Eu penso em você meu pobre amigo
Que só usa sempre o mesmo terno

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Tente me ensinar das tuas coisas
Que a vida é séria, e a guerra é dura
Mas se não puder, cale essa boca, Pedro
E deixa eu viver minha loucura

Lembro, Pedro, aqueles velhos dias
Quando os dois pensavam sobre o mundo
Hoje eu te chamo de careta, Pedro
E você me chama vagabundo

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

Todos os caminhos são iguais
O que leva à glória ou à perdição
Há tantos caminhos tantas portas
Mas somente um tem coração

E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou

Pedro, onde você vai eu também vou
Mas tudo acaba onde começou

É que tudo acaba onde começou
Meu amigo Pedro

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Ave Maria da Rua
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

No lixo dos quintais
Na mesa do café
No amor dos carnavais
Na mão, no pé
Oh, tu estás, tu estás
No tapa, e no perdão
No ódio, e na oração

Teu nome é Iemanjá
E é Virgem Maria
É Glória e é Cecília
Na noite fria
Oh, minha mãe, minha filha
Tu és qualquer mulher!
Mulher em qualquer dia

Bastou o teu olhar
Pra me calar a voz
De onde está você
Rogai por nós
Minha mãe, minha mãe
Me ensina a segurar
A barra de te amar

Não estou cantando só
Cantamos todos nós
Mas cada um nasceu
Com a sua voz
Oh, pra dizer, pra falar
De forma diferente
O que todo mundo sente

Segura a minha mão
Quando ela fraquejar
E não deixe a solidão
Me assustar
Oh, minha mãe, nossa mãe
E mata a minha fome
Nas letras do teu nome.

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Quando Você Crescer
(Raul Seixas, Paulo Coelho e Gay Vaquer)

Que é que você
Quer ser quando crescer
Alguma coisa importante
Um cara muito brilhante
Quando você crescer
Não adianta
Perguntas não valem nada
É sempre a mesma jogada
Um emprego e uma namorada
Quando você crescer

E cada vez
É mais difícil vencer
Pra quem nasceu pra perder
Pra quem não é importante
É bem melhor
Sonhar do que conseguir
Ficar invés de partir
Melhor uma esposa invés de amante

Uma casinha
Um carro a prestação
Saber de cor a lição
Que no bar não se cospe no chão, nego
Quando você crescer
Alguns amigos da mesma repartição
Durante o fim de semana
Se vai mais tarde pra cama
Quando você crescer

E no subúrbio com flores na sua janela
Você sorri para ela
E dando um beijo lhe diz
Felicidade
É uma casa pequenina
É amar uma menina
E não ligar pro que se diz

Belo casal
Que paga as contas direito
Bem comportado no leito
Mesmo que doa no peito
Quando você crescer

E o futebol
Te faz pensar que no jogo
Você é muito importante
Pois o gol é o seu grande instante
Quando você crescer

O cafezinho!
Mostra o filho pra avó
Sentindo apoio dos pais
Achando que não está só
Quando você crescer
Tudo igual
Vai ser exatamente o mesmo

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O Dia da Saudade
(Raul Seixas e Gay Vaquer)

Hoje é o dia da saudade
Hoje é feriado
É o dia da saudade

Hoje eu vou beber para celebrar
O aniversário do seu Gaspar
Deve ter festa em algum lugar

Hoje não tem aula pra garotada
Velhas de varizes na calçada
(Solta a saudade)

Para o campeão do melhor glutão
Um pé de macarrão
Um palhaço que come lixo
Limpa a avenida para o bloco do chorão passar.

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Eu Também Vou Reclamar
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Mas é que
Se agora prá fazer sucesso
Pra vender disco de protesto
Todo mundo tem que reclamar

Eu vou tirar meu pé da estrada
E entrar também nessa jogada
E vamos ver quem é que vai güentar
Porque eu fui o primeiro
E já passou tanto janeiro
Mas se todos gostam eu vou voltar

Tô trancado aqui no quarto
De pijama
Porque tem visita estranha na sala
Aí eu pego e passo a vista no jornal
Um piloto rouba um Mig
Gelo em Marte diz a Viking
Mas no entanto não há galinha em meu quintal
Compro móveis estofados
Me aposento com saúde
Pela assistência social

Dois problemas se misturam
A verdade do universo
E a prestação que vai vencer
Entro com a garrafa de bebida enrustida
Porque minha mulher não pode ver
Ligo o rádio e ouço um chato
Que me grita nos ouvidos
Pare o mundo que eu quero descer

Olho os livros na estante
Que nada dizem de importante
Servem só prá quem não sabe ler
E a empregada me bate à porta
Me explicando que tá todo torta
E que já não sabe o que vai dar prá mim comer

Falam em nuvens passageiras
Mandam ver qualquer besteira
E eu não tenho nada prá escolher

Apesar dessa voz chata e irrenitente
Eu não tô aqui prá me queixar
E nem sou apenas o cantor
Eu já passei por Elvis Presley
Imitei Mr. Bo Diddley
E eu já cansei de ver o sol se pôr
Agora eu sou apenas um latino-americano
Que não tem cheiro nem sabor

E as perguntas continuam sempre as mesmas
Quem eu sou, de onde venho, onde vou dar
E todo mundo explica tudo
Como a luz acende
Como o avião pode voar
Ao meu lado o dicionário
Cheio de palavras
Que eu sei que nunca vou usar
Mas agora eu também resolvi
Dar uma queixadinha
Porque eu sou um rapaz latino-americano
Que também sabe se lamentar
E sendo nuvem passageira
Não me leva nem à beira
Disso tudo que eu quero chegar
E fim de papo

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O Homem
(Raul Seixas e Pailo Coelho)

No momento em que eu ia partir
Eu resolvi voltar
Vou voltar
Sei que não chegou a hora de se ir embora
É melhor ficar
Vou ficar
Sei que tem gente cantando, tem gente esperando
A hora de chegar
Vou chegar
Chego com as águas turvas, eu fiz tantas curvas
Prá poder cantar

Esse meu canto que não presta
Que tanta gente então detesta
Mas isto é tudo o que me resta
Nesta festa nesta festa

Vou ferver
Como que um vulcão em chamas
Como a tua cama que me faz tremer
Vou tremer
Como um chão de terremotos
Como o amor remoto que eu não sei viver
Vou viver
Vou poder contar meus filhos
Caminhar nos trilhos isto é prá valer

Pois se uma estrela há de brilhar
Outra então tem que se apagar
Quero estar vivo para ver
O sol nascer o sol nascer o sol nascer

Vou subir
Pelo elevador dos fundos
Que carrega o mundo sem sequer sentir
Vou sentir
Que a minha dor no peito
Que escondi direito agora vai surgir
Vou surgir
Numa tempestade doida prá varrer as ruas
Em que vou seguir
Em que eu vou seguir
Em que eu vou seguir

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Os Números
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Meus amigos esta noite
Tive uma alucinação
Sonhei com um bando de números
Invadindo o meu sertão
Vi tanta coincidência
Que eu fiz esta canção

Falar do número 1!
Não é preciso muito estudo
Só se casa uma vez
Foi um Deus que criou tudo
Uma vida só se vive
Só se usa um sobretudo

Agora o Doze
É só de pensar em doze
Eu então quase desisto
São doze meses do ano
Doze apóstolos de Cristo
Doze horas é meio-dia
Haja dito e haja visto

Agora o Sete
Sete dias da semana
Sete notas musicais
Sete cores no arco-íris
Das regiões divinais
E se pinta tanto o sete
Eu não agüento mais

Dois
E no dois o homem luta
Entre coisas diferentes
Bem e mal, amor e guerra
Preto e branco, bicho e gente
Rico e pobre, claro e escuro
Noite e dia, corpo e mente

Agora o Quatro
E o quatro é importante
Quatro pontos cardeais
Quatro estações do ano
Quatro pés tem o animal
Quatro pernas tem a mesa
Quatro dias carnaval

Para encerrar
Eu falei de tantos números
Talvez esqueci algum
Mas as coisas que eu disse
Não são lá muito comum
Quem souber que conte outra
Ou que fique sem nenhum
Menino dondoje ele chega

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Cantiga de Ninar
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Nada tão belo como uma criança dormindo
Nem tão profundo como dormir sem sonhar
Nem tão antigo como o sonho dos teus olhos
Nem tão distante como a hora de acordar

Dorme enquanto teu pai faz músicas
Que é a forma dele rezar
Todos os sonhos na realidade
São verdades, se eu puder cantar

Você chora quando tem fome
Mas vem logo uma mamadeira
Amanhã se você chorar
Vai chorar tua vida inteira

Fiz meu rumo por essa terra
Entre o fogo que o amor consome
Eu lutei mas perdi a guerra
Eu só posso te dar meu nome

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Eu Nasci Há 10 Mil anos Atrás
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Um dia, numa rua da cidade,
Eu vi um velhinho sentado na calçada com uma cuia de esmola e uma viola na mão
O povo parou para ouvir
Ele agradeceu as moedas
E cantou essa música
Que contava uma história
Que era mais ou menos assim

Eu nasci há 10 mil anos atrás
E não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais

Eu vi Cristo ser crucificado
o amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo prá pagarem seus pecados, eu vi

Eu vi Moisés cruzar o Mar Vermelho
Vi Maomé cair na terra de joelhos
Ei vi Pedro negar Cristo por três vezes diante do espelho, eu vi

Eu vi as velas se acenderem para o Papa
Vi Babilônia ser riscada do mapa
Vi Conde Drácula sugando sangue novo e se escondendo atrás da capa, eu vi

Eu vi a Arca de Noé cruzar os mares
Vi Salomão cantar seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir com os negros prá floresta pro Quilombo dos Palmares, eu vi

Eu vi o sangue que corria da montanha
Quando Hitler chamou a Alemanha
e o soldado que sonhava com a amada numa cama de campanha

Eu li os símbolos sagrados de umbanda
Eu fui criança prá poder dançar ciranda
E quando todos praguejavam contra o frio eu fiz a cama na varanda

Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres da taberna
E quando a pedra despencou da ribanceira eu também quebrei a perna, eu também

Eu fui testemunha do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi brilhar no céu
E para aquele que provar que eu estou mentindo eu tiro o meu chapéu

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Love Is Magick
(Raul Seixas e Spacey Glow )

Love is a magick manifestation
Love is a magick flame
Love is a magick manifestation
Love is a sacred game

Yes, with the suns I go
Like a new "star" I flow
High! As the mountains
I`m gone
Deep as oceans
Making love

Love is a magick manifestation
Love is a magick flame
Love is a magick manifestation
Love is a sacred game

Divide the number nine
Add four and multiply
Love is the answer
I am God spreading cancer

I love you Yes I do
Love is magick
Love is magick
Love is Gloria
 

Amor é Mágika (Love Is Magick)

Amor é uma manifestação mágika
Amor é uma chama mágika
Amor é uma manifestação mágika
Amor é o Jogo Sagrado

Sim, com os sóis eu vou
Como uma nova estrela que flutua
Tão alto quanto as montanhas
Estou indo tão fundo quanto os oceanos
No ato do amor

Amor é uma manifestação mágika
Amor é uma chama mágika
Amor é uma manifestação mágika
Amor é o Jogo Sagrado

Divida o número nove
Adicione quatro e multiplique
Amor é a resposta
É Deus espalhando câncer

E eu amo você
Sim, eu amo

Amor é mágika
Amor é mágika
Amor é Gloria

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