O Dia em eue a Terra Parou (1977)


Back
Tapanacara Go
Maluco Beleza Go
O Dia em que a Terra Parou Go
No Fundo do Quintal da Escola Go
Eu Quero Mesmo Go
Sapato 36 Go
Você Go
Sim Go
Que Luz É Essa Go
De Cabeça pra Baixo Go















Tapanacara
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Urucubaca, mandinga
Ataca e mexe e me xinga
Esquenta e racha a moringa
Até que o leite azedou

Bochecha inchada na raça
Araçá quente e cahcaça
O berimbau tem cabaça
E um som que é deep in my soul

Randolph Scott que era um cowboy retado
Tipo touro sentado
Mugiu e levantou

O Tapa-Na-Cara
Que eu levei de Odara
Odara, menina
Que era filha de Nara

Que era neta
Prima-Dona de Raul
Menino danado
Lá Si Dó rebocado
Procure
Que você vai entender

Volta ao Início


Maluco Beleza
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Enquanto você se esforça pra ser
Um sujeito normal
E fazer tudo igual

Eu do meu lado, aprendendo a ser louco
Um maluco total
Na loucura real

Controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco Beleza

E este caminho que eu mesmo escolhi
É tão fácil seguir
Por não ter onde ir

Controlando a minha maluquez
Misturada com minha lucidez

Vou ficar
Ficar com certeza
Maluco Beleza
Eu vou ficar...

Volta ao Início


O Dia em que a Terra Parou
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou, eu sonhei...
Com a dia em que a terra parou
Com a dia em que a terra parou

Foi assim num dia que todas as pessoas
Do planeta inteiro resolveram que ninguém
Ia sair de casa, como que fosse combinado
E em todo o planeta naquele dia
Ninguém saiu de casa, ninguém

O empregado não saiu pro seu trabalho
Pois sabia que o patrão também não tava lá
Dona de casa não saiu prá comprar pão
pois sabia que o padeiro também não tava lá
E o guarda não saiu para prender
Pois sabia que o ladrão também não tava lá
E o ladrão não saiu para roubar
Pois sabia que não ia ter onde gastar

No dia em que a terra parou...
E nas igrejas nenhum sino a badalar
Pois sabiam que os fiéis também não tavam lá
E os fiéis não saíram prá rezar
Pois sabiam que o padre também não tava lá
E o aluno não saiu para estudar
Pois sabia que o professor também não tava lá
E o professor não saiu prá lecionar
Pois sabia que não tinha mais nada prá ensinar

No dia em que a terra parou...

O comandante não saiu para o quartel
Pois sabia que o soldado também não tava lá
E o soldado não saiu pra ir pra guerra
Pois sabia que o inimigo também não tava lá
E o paciente não saiu pra se tratar
Pois sabia que o doutor também não tava lá
E o doutor não saiu pra medicar
Pois sabia que não tinha mais doença pra curar

No dia em que a terra parou...

Essa noite eu tive um sonho de sonhador
Maluco que sou acordei!!!

No dia em que a terra parou...
No dia em que a terra parou...
No dia em que a terra parou...
Eu acordei no dia em que a terra parou

Volta ao Início


No Fundo do Quintal da Escola
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Não sei onde eu tô indo
Mas sei que eu tô no meu caminho
Enquanto você me critica
Eu tô no meu caminho

Eu sou o que sou
Porque eu vivo da minha maneira
Só sei que eu sinto
Que foi sempre assim, minha vida inteira

Desde aquele tempo
Enquanto o resto da turma se juntava
Pra bater uma bola
Eu pulava o muro com Zezinho
No fundo do quintal da escola

Vou esperando resposta
Olhando pro espaço
E eu tão ocupado vivendo
Eu não me pergunto. Eu faço!

E se você quiser contar comigo
É melhor não me chamar
Pra jogar bola
Tô pulando o muro com Zezinho
No fundo do quintal da escola

Volta ao Início


Eu Quero Mesmo
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Eu quero mesmo é cantar ye-ye-ye
Eu quero mesmo é gostar de você
Eu quero mesmo é falar de amor
Eu quero mesmo é sentir teu calor

Por muito tempo eu sentia vergonha
Das coisas que eu sinto
E disfarçando escrevia difícil
Só pra complicar
Quando uma flor é uma flor
E não tem outro jeito da gente dizer
Pra que mentir, se eu sei
Eu sei

Eu tinha medo de ver a beleza da simplicidade
Nunca falava Eu Te Amo
Com medo de alguém e gozar
Eu gosto de Besame Mucho e eu gosto
E eu vou tirar você desse lugar
Pra que mentir?
Quando eu sei, eu sei

Volta ao Início


Sapato 36
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Eu calço é 37
Meu pai me dá 36
Dói, mas no dia seguinte
Aperto meu pé outra vez

Pai eu já tô crescidinho
Pague prá ver, que eu aposto
Vou escolher meu sapato
E andar do jeito que eu gosto

Por que cargas d'água
Você acha que tem o direito
De afogar tudo aquilo que eu
Sinto em meu peito

Você só vai ter o respeito que quer
Na realidade
No dia em que você souber respeitar
A minha vontade

Meu pai
Meu pai

Pai já tô indo embora
Quero partir sem brigar
Pois eu já escolhi meu sapato
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar
Que não vai mais me apertar

Volta ao Início


Você
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Você alguma vez se perguntou por que?
Faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar
Mas você faz,
Sem saber por que
Você faz e a vida é curta!

Por que deixar que o mundo
Lhe acorrente os pés
Finge que é normal estar insatisfeito
Será direito
O que você faz com você
Por que você faz isso por que

Detesta o patrão no emprego
Sem ver que o patrão sempre esteve com você
E dorme com a esposa
Por quem já não sente amor

Será que é medo
Por que
Você faz isso com você

Por que você não pára um pouco de fingir?
E rasga este uniforme que você não quer
Mas você não quer
Prefere dormir e não ver
Por que você faz isso por que

Será que é medo?
Por que
Você faz isso com você

Volta ao Início


Sim
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

A dor é uma coisa real
Que a gente está aprendendo a abraçar
E não temer
A velha história do mal
Tão conhecida
Que já nem pode mais nos assustar

O amor é uma coisa real
E a gente nunca deve se esquecer
De festejar
Cada momento pra nós
É pura alegria
É tudo o que a vida tem pra dar
Vem pegar o que é seu

A gente sofre
A gente luta
Pois nossa palavra é sim
A gente ama
A gente odeia
Mas nossa palavra é sim

Viver é coisa irreal
Uns chama de magia e é tudo tão normal
Mas tá legal
Tem mágica solta no ar
Faz parte do astral
E é isso o que a vida tem pra dar
Vem conquistar o que é seu

A gente sofre
A gente luta
Pois nossa palavra é sim
A gente ama
A gente odeia
Mas nossa palavra é sim
Sim

Volta ao Início


Que Luz É Essa?
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Que luz é essa que vem vindo lá do céu?
Que luz é essa que vem vindo lá do céu?
Que luz é essa?
Que vem chegando lá do céu?

Que luz é essa que vem vindo lá do céu?
Brilha mais do que o sol

Vem trazendo a esperança
Pra essa terra tão escura
Ou quem sabe a profecia das divinas escrituras
Quem é que sabe o que é que vem trazendo esse clarão
Se é chuva ou ventania, tempestade ou furacão
Ou talvez alguma coisa que não é nem Sim nem Não
Que luz é essa, gente
Que vem chegando lá do céu

É a chave que abre a porta
Lá do quarto dos segredos
Vem mostrar que nunca é tarde
Vem provar que é sempre cedo
E que pra todo pecado sempre existe um perdão
Não tem certo nem errado
Todo mundo tem razão
E que o ponto de vista
É que é o ponto da questão
Que luz é essa que vem chegando lá do céu?

Volta ao Início


De Cabeça pra Baixo
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

É na cidade de cabeça prá baixo
A gente usa o teto como capacho
Ninguém precisa morrer
Prá conseguir o Paraíso no alto
O céu já está no asfalto

Na cidade de cabeça prá baixo
Dinheiro é fruta que apodrece no cacho
Ninguém precisa correr
Nem tem idéia do que é calendário
Num tem problema de horário
Na cidade de cabeça prá baixo

É tão bonito ver o sorriso do povo
Que habita o lugar
Olhar prá cima e ver a espuma das ondas
Se quebrando no ar

Na cidade de cabeça prá baixo
A gente usa o teto como capacho
Ninguém presica fazer
Nenhuma coisa que não tenha vontade
Vou me mudar prá cidade
Para a cidade de cabeça prá baixo
Olha prá cime meu filho
O chão é lugar de cuspir

Volta ao Início


Volta ao Menu de Discos