Mata Virgem (1978)


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Judas Go
As Profecias Go
Tá na Hora Go
Conserve Seu Medo Go
Mata Virgem Go
Pagando Brabo Go
Magia de Amor Go
Todo Mundo Explica Go















Judas
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Ei quem é você?
Ei quem é você?
Vamos responda
Quem é você?

Eu sou Judas

Parte de um plano secreto
Amigo fiel de Jesus
Eu fui escolhido por ele
Para pregá-lo na cruz

Cristo morreu com um homem
Um mártir da salvação
Deixando prá mim seu amigo
O sinal da traição

Mas é que lá em cima
Lá na beira da piscina
Olhando simples mortais
Das alturas
Fazem escrituras
E não me perguntam se é pouco ou demais

Se eu não o tivesse traído
Morreria cercado de luz
E o mundo hoje então não teria
A marca sagrada da Cruz

E para provar que me amava
Pediu outro gesto de amor
Pediu que o traísse com um beijo
Que o meu rosto então marcou

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As Profecias
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Tem dias que a gente se sente
Um pouco talvez menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar carregado, sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nesta tarde tão calma?
O tempo parece parado?

Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro
Dos loucos que escrevem no muro
Das teias, do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto
A chama da guerra acesa
A fome sentada na mesa
O copo com álcool no bar
O anjo surgindo no mar
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolos do Apocalipse
Os séculos de Nostradamus
A fuga geral dos ciganos
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia

Um gosto azedo na boca
A moça que sonha, a louca
O homem que quer mas esquece
O mundo do dá ou do desce
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia

Sem fogo, sem sangue, sem ais
O mundo dos nossos ancestrais
Acaba sem guerra, os mortais
Sem glórias de mártir ferido
Sem o estrondo mas com gemido
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia

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Tá na Hora
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Andei durante dez anos
Fazendo planos para falar
Com seres vindos do espaço
Com uma resposta para me dar
Porém quando eu estava pronto
Para o contato, minha pequena
Me disse: você vai ver tudo no cinema

E onde é que está a vida
Onde é que está a experiência
Já te entregam tudo pronto
Sempre em nome da ciência
Sempre em troca da vivência
E aonde é que está a vida
E a minha independência

Depois de muita espera
Quem eu queria quis me encontrar
Tomei um banho decente
Escovei meus dentes pra lhe beijar
Guardei lugar no motel
Pra lua de mel
Que eu sempre esperei
Porém na hora H não levantei

Tá na hora do trabalho
Tá na hora de ir pra casa
Tá na hora da esposa e enquanto
Eu vou pra frente toda a minha vida atrasa
Eu tenho muita paciência
Mas e a minha independência, onde é que tá?

Durante a vida inteira
Eu trabalhei pra me aposentar
Paguei seguro de vida
Para morrer sem me aporrinhar
Depois de tanto esforço
O patrão me deu caneta de ouro
Dizendo enfia no bolso e vai se virar

Tá na hora da velhice
Tá na hora de deitar
Tá na hora da cadeira de balanço
Do pijama, do remédio pra tomar
Oh Divina Providência
E a minha independência?
E minha vida
Onde é que está?

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Conserve Seu Medo
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Conserve seu medo
Mantenha ele aceso
Se você não teme
Se você não ama
Vai acabar cedo

Esteja atento
Ao rumo da história
Mantenha em segredo
Mas mantenha viva
Sua paranóia

Conserve seu medo
Mas sempre ficando
Sem medo de nada
Porque desta vida
De qualquer maneira
Não se leva nada

E ande pra frente
Olhando pro lado
Se entregue a quem ama
Na rua ou na cama
Mas tenha cuidado!
Cuidado
Muito, cla-cum-cum
Cla-cum-cum
Tesão, tesão

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Mata Virgem
(Raul Seixas e Tânia Menna Barreto)

Você é um pé de planta
Que só dá no interior
No interior da mata
Coração do meu amor

Você é roubar manga
Com os moleques no quintal
É manga rosa, espada
Guardiã do matagal

Qual flor de uma estação
Botão fechado eu sou
Se amadurecendo
Pra se abrir pro meu amor

Úmida de orvalho
Que o sol não enxugou
Você é Mata Virgem
Pela qual ninguém passou

É capinzal noturno
Escuro-e-denso protetor
De um lago leve e morno
Teu Oásis, Seu amor

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Pagando Brabo
(Raul Seixas e Tânia Menna Barreto)

Eu quero ver você sorrir
Às 4 e meia da manhã
Com a cara linda de dormir
Se espreguiçando no divã

Olhando pra mim
Sem Ter ponta de cigarro no cinzeiro
Fugindo de mim
Disfarçando e se escondendo no banheiro

Eu quero é ver você mexer
Eu quero é ver

Eu quero é ver você pedir
Querendo mais quando acabar
Eu quero é ver você sentir
Vontade de me machucar

Dizendo que sim
Que eu faço e aconteço o dia inteiro
Em pé pra assumir
Eu e tu fazendo ioga no chuveiro

Eu quero é ver você mexer
Eu quero é ver
Mexer os pauzinho com cuidado

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Magia de Amor
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Me fascina tua morte mal morrida
E tua luta prá ficar em tal estado
E teu beijo, tão fatal, nunca me assusta
Pois existe um fim pelo sangue derramado

Me fascinam os teus olhos quando brilham
Pouco antes de escolher quem te seduz
E me fascinam os teus medos absurdos
A estaca, o alho, o fogo, o sol, a cruz

Me fascina a tua força, muito embora
Não consiga resistir à frágil aurora
E tua capa, de uma escuridão sem mácula

Me fascinam os teus dentes assustadores
E teus séculos de lendas e de horrores
E a nobreza do teu nome, Conde Drácula

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Todo Mundo Explica
(Raul Seixas)

Não me pergunte por que
Quem-Como-Onde-Qual-Quando-O Que?
Deus, Buda, O tudo, O nada, O ocaso, O cosmo
Como o cosmonauta busca o nada
Seja lá o que for, já é

Não me obrigue a comer
O seu escreveu não leu
Papai nos deu a cabeça
Do Dr. Sigismundo
Porque sem querer cantou de galo
Cada cabeça é um mundo Gismundo
Antes de ler o livro que o guru lhe deu
Você tem que escrever o seu

Chega um ponto que eu sinto que eu pressinto
Lá dentro, não do corpo, mas lá dentro-fora
No coração e no sol, no meu peito eu sinto
Na estrela, na testa, eu farejo em todo o universo
Que eu estou vivo
Que eu estou vivo, vivo, vivo, vivo como uma rocha
E eu não pergunto
Hoje sei que a vida não é uma resposta
E se eu aconteço se deve ao fato de eu simplesmente ser
Se deve ao fato de eu simplesmente ser

Mas todo mundo explica
Explica, Freud, o padre explica, Krishnamurti tá vendendo
A explicação na livraria, que lhe faz a prestação
Que tem Platão que explica tudo tão bem vai lá que
Todo mundo explica
Protestante, o auto-falante, o zen-budismo,
Brahma, Skol
Capitalismo oculta um cofre de fá, fé, fi, finalismo
Hare Krishna, e dando a dica enquanto aquele papagaio
Curupaca e implica
Com o carimbo positivo da ciência que aprova e classifica

O que é que a ciência tem?
Tem lápis de calcular
Que é mais que a ciência tem?
Borracha prá depois apagar
Você já foi ao espelho, nego?
Não?
Então vá!

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