Abre-te Sésamo (1980)


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Abre-te Sésamo Go
Aluga-se Go
Anos 80 Go
Ângela Go
Conversa pra Boi Dormir Go
Minha Viola Go
Rock das "Aranha" Go
O Conto do Sábio Chinês Go
Só pra Variar Go
Baby Go
Ê Meu Pai Go
À Beira do Pantanal Go















Abre-te Sésamo
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Lá vou eu de novo
Um tanto assustado
Com Ali-Babá e os 40 ladrões
Já não querem nada
Com a Pátria Amada
E cada dia mais
Enchendo os meus botões

Lá vou eu de novo
Brasileiro nato
Se eu não morro eu mato
Essa desnutrição
Minha teimosia braba de guerreiro
É que me faz o primeiro dessa procissão

Fecha a porta!
Abre a porta!
Abre-te Sésamo!

E vamos nós de novo
Vamos na gangorra
No meio da zorra
Desse vai-e-vem
É tudo mentira
Quem vai nessa pira
Atrás do tesouro do Ali-bem-bem

Fecha a porta!
Abre a porta!
Abre-te Sésamo!

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Aluga-se
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

A solução pro nosso povo eu vou dar
Negócio bom assim ninguém nunca viu
Tá tudo pronto aqui
É só vir pegar
A solução é alugar o Brasil!

Nós não vamos pagar nada
Nós não vamos pagar nada
É tudo free, tá na hora
Agora é free, vamo embora
Dar lugar pros gringo entrar
Esse imóvel tá pra alugar

Os estrangeiros, eu sei que eles vão gostar
Tem o Atlântico, tem vista pro mar
A Amazônia é o jardim do quintal
E o dólar deles paga o nosso mingau

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Anos 80
(Raul Seixas e Dedé Caiano)

Hei anos 80
Charrete que perdeu o condutor
Hei anos 80
Melancolia e promessas de amor

É o juiz das doze varas
De caniço e samburá
Dando o atestado que o compositor errou
Gente afirmando
Não querendo afirmar nada
Que o cantor cantou errado
E que a censura concordou

Hei anos 80
Charrete que perdeu o condutor
Hei anos 80
Melancolia e promessas de amor!

Pobre país carregador dessa miséria
Dividida entre Ipanema
E a empregada do patrão
Varrendo o lixo pra debaixo do tapete
Que é supostamente persa
Pra alegria do ladrão

Hei anos 80
Charrete que perdeu o condutor
Hei anos 80
Melancolia e promessas de amor!

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Ângela
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Mesmo que me aperte
Essa sensação sem nome
Ou que me faça engolir a seco
A minha sede é de Ângela
Ângela, Ângela

Quantas vezes eu me quis negar
Mas o meu rio só corria
Em direção ao mar de Ângela
Ângela, Ângela

Rouba do meu leite agora
O gosto da minha vitória
Do meu amor, do meu amor, por mim

Eu que me achava
O rei do fogo e dos trovões
Eu assisti meu trono desabar
Cedendo às tentações
Às tentações de Ângela
Ângela, Ângela

Minha espada erguida para a guerra
Com toda a fúria que ela encerra
No entanto é tão doce
É tão doce para Ângela
Ângela, Ângela

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Conversa pra Boi Dormir
(Raul Seixas)

Jota Batista batizou Jesus
De água e sal e o sinal da cruz
Com a profecia que já estava esquecida
Para que seu povo encontrasse a luz

Há quanto tempo que o Brasil não ganha
Isso é conversa pra boi dormir
Espero em Deus porque ele é brasileiro
Pra trazer o progresso que eu não vejo aqui

André Ledani só faz confusão
Sonhei com ele e mijei no colchão

Não tenho saco para ouvir artista
Comendo alpiste na mesma estação
Cantando regra com o rei na barriga
E só de preguiça não mudou o botão

Amigo Nero tocou fogo em Roma
Com a mania de ser inventor
Mas como a história sempre se repete
De tanto feitiço ele se enfeitiçou

Falou que Deus não quis dar asa à cobra
Seria um bicho ameaçador
Mas tem uma peste delas avoando
Que o diabo fez, enquanto Deus marcou

O tempo passa eu tô ficando velho
Andam brincando com a vida da gente
Direito eu tenho mas anda escondido
Chicotinho Queimado, tá ficando quente!

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Minha Viola
(Raul Varella Seixas)

Eu tenho uma viola
Que canta assim
Minha dor ela consola
Dilim, dilim, dilim

Quando eu saí do meu sertão
Não tinha nada de meu
A não ser esta viola
Que foi meu pai quem me deu

Pelo mundo eu vou andando
Subo monte desço serra
Minha viola vou tocando
Relembrando a minha terra

E quando a tarde vai morrendo
Vou pegando minha viola
Se estou triste e sofrendo
Ela é quem me consola

Cada nota é um gemido
Cada gemido é uma saudade
De saudade estou perdido, viola
Nesta eterna soledade

Nesse sertão dos meus amores
Quando me ponho a tocar
Emudecem seus cantores
Para nos ouvir cantar

Canta a minha alegria
Canta para eu não chorar
Entrarei no céu contigo
Quando minha hora chegar

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Rock das "Aranha"
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Subi no muro do quintal
E vi uma transa que não era normal
E ninguém vai acreditar
Eu vi duas mulher botando aranha pra brigar

Duas aranha, duas aranha
Duas aranha, duas aranha

Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra quer comer a sua aranha

Meu corpo todo se tremeu
E nem minha cobra entendeu
Cumé que pode duas aranha se esfregando
Eu tô sabendo, alguma coisa tá faltando

É minha cobra
Cobra criada

Vem cá mulher deixa de manha
A minha cobra quer comer a sua aranha

Deve ter uma boa explicação
O que é que essas aranha tão fazendo ali no chão
Uma em cima, outra embaixo
A cobra perguntando onde é que me encaixo

É minha cobra, cobra criada
Vem cá mulher deixa de manha
A minha cobra quer comer a sua aranha

Soltei a cobra e ela foi direto
Foi pro meio das aranhas
Pra mostrar cumé que é certo
Cobra com aranha é que dá pé
Aranha com aranha sempre deu em jacaré

E minha cobra, cobra com aranha
Com as aranhas

Vem cá mulher deixa de manha
A minha cobra quer comer a sua aranha

É o rock das "aranha"
É o rock das "aranha"

Vem cá mulher deixa de manha
Minha cobra quer comer a sua aranha

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O Conto do Sábio Chinês
(Raul Seixas)

Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta
Voando nos campos
Pousando nas flores,
Vivendo assim um lindo sonho
Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida lhe acompanhou

Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta
Ou se era uma borboleta
Sonhando que era um sábio chinês

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Só pra Variar
(Raul Seixas, Kika Seixas e Cláudio Roberto)

Tem que acontecer alguma coisa, neném
Parado é que eu não posso ficar
Quero tocar fogo
Onde bombeiro não vem

Vou rasgar dinheiro
Tocar fogo nele, só pra variar!

Antes d'eu me confessar pro padre, neném
Vou comer três quilos de cebola
Ver de perto o papa
Ai, que luxo, meu bem

Vou rasgar dinheiro
Tocar fogo nele, só pra variar!

É pena não ser burro...
Não sofria tanto...
Essa noite eu vou dormir...
Botar as manguinhas de fora...
Dizer que eu estou chegando
Botando pra quebrar

Vou jogar no lixo a dentadura, neném
Vou ficar banguelo numa boa
É que eu ou fundar mais um partido também!

Vou rasgar dinheiro
Tocar fogo nele, só pra variar!

Diz que o paraíso já tá cheio, neném
Vou levar um lero com o diabo
Antes que o inferno fique cheio também.

Vou rasgar dinheiro
Tocar fogo nele, só pra variar!

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Baby
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Baby hoje cê faz 15 anos
Vejo em seus olhos seus planos
Eu sei que você quer deitar
Não dar ouvido à razão não
Quem manda e seu coração

Baby, abraça seus livros no peito
Esconde o que é tão perfeito
Eu sei que você quer deitar
Não dar ouvido à razão não
Quem manda é seu coração

A madra na escola te ensina
A reconhecer o pecado
E o que você sente é ruim
Mas, Baby, Baby
Deus não é tão mau assim!
Não... não... não...

Baby, no quarto crescente da lua
Descobre a vontade que é sua
E eu sei que você quer deitar
Não dar ouvido à razão não
Quem manda é seu coração

A mancha do batom vermelho
Por que esconder no lençol?
Se dentro da imagem no espelho
Oh, Baby, Baby
O inferno é o fogo do sol!

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Ê Meu Pai
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Ê meu pai, olha teu filho meu pai!
Ê meu pai
Ajuda o filho, meu pai

Quando eu cair no chão
Segura a minha mão
Me ajuda a levantar
Para lutar

Se o medo da loucura
Nessa estrada escura
Me afastar da luz
Que me conduz

Se eu me sentir sozinho
Ou sair do caminho
E a dor vier de noite
Me assustar

E se eu perder coragem
Pra seguir viagem
A fé que me faltar
Eu vou buscar com você meu pai!

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À Beira do Pantanal
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Foi lá na beira do pantanal
Seu corpo tão belo enterrei
Foi lá que eu matei minha amada
Sua voz na lembrança guardei

Por que, meu querido?
Por que, meu amor?

Cravaste em mim teu punhal?
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal!

Assassinei quem amava
Num gesto sagrado de amor
O sangue que dela jorrava
A sede da terra acalmou

E lá onde jaz o seu corpo
Cresceu junto com o capim
Seus lindos cabelos negros
Que eu regava como um jardim

A lei dos homens me condenou
Perpétua será tua prisão
Porque fui eu mesmo quem calou
Com aço aquele coração

E eu preso aqui nesta cela
Deixando minha vida passar
Ainda escuto a voz dela
No vento que vem perguntar

Por que, meu querido?
Por que, meu amor?
Cravaste em mim teu punhal!
Meu peito tão jovem sangrando assim
Por que esse golpe mortal?
Cravaste em mim teu punhal

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