Raul Seixas (1983)


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DDI (Discagem Direta Interestelar Go
Coisas do Coração Go
Coração Noturno Go
Não Fosse o Cabral Go
Quero Mais Go
Lua Cheia Go
O Carimbador Maluco Go
Segredo da Luz Go
Aquela Coisa Go
Capim-Guiné Go
Babilina Go















DDI (Discagem Direta Interestelar)
(Raul Seixas e Kika Seixas)

Aqui é do céu
Quem tá na linha é Deus
Tô vendo tudo esquisito
O que que há com vocês?

Por favor não deixem a peteca cair
Que o diabo diz que vai baixar
De uma vez
Por aí!

Eu fiz vocês como eu
Imagem e perfeição
E vocês anarquizando
A minha reputação...

Não é só novena, terço e oração
Em vez de resmungar
Eu quero é ver
Vocês em ação!!!

Foram milhões de anos dedicados a vocês
Fazendo vossas cabeças
Não fui eu quem marquei

O que que vocês querem exgir
Mais de mim?
Se eudo que eu faço
Vocês acham ruim!!!

Agora vou desligar
O telefone tá caro
Já falei demais
Brigado pela atenção

Mas se alguém ligar
Dizendo ser eu
Pode ser um trote do diabo
Que já desceu!!!

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Coisas do Coração
(Raul Seixas, Kika Seixas e Cláudio Roberto)

Quando o navio finalmente alcançar a terra
E o mastro da nossa bandeira se enterrar no chão
Eu vou poder pegar na sua mão
Falar de coisas que eu não disse ainda não

Coisas do coração!
Coisas do coração!

Quando a gente se tornar rima perfeita
E assim virarmos de repente uma palavra só
Igual a um nó que nunca se desfaz
Famintos um do outro como canibais

Paixão e nada mais!
Paixão e nada mais!

Somos a resposta exata do que a gente perguntou
Entregues num abraço que sufoca o próprio amor
Cada um de nós é o resultado da união
De duas mãos coladas numa mesma oração!

Coisas do coração!
Coisas do coração!

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Coração Noturno
(Raul Seixas, Kika Seixas e Raul Varella Seixas)

Amanhece, amanhece, amanhece
Amanhece, amanhece o dia
Um leve toque de poesia
Com a certeza que a luz
Que se derrama
Nos traga um pouco de alegria!

A frieza do relógio
Não compete com a quentura
Do meu coração
Coração que bate 4 por 4
Sem lógica e sem nenhuma razão

Bom dia, sol!
Bom dia, dia.

Olha a fonte, olhe os montes
Horizonte
Olha a luz que enxovalha e guia
A lua se oferece ao dia
E eu guardo cada pedacinho de mim
Pra mim mesmo
Rindo louco, louco
Mas louco de euforia

Bom dia, sol!
Bom dia, dia.

Eu e o coração
Companheiros de absurdos no noturno
No noturno
No entanto, entretanto
E portanto

Bom dia, sol!
Bom dia, sol!
Bom dia, soooool!...

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Não Fosse o Cabral
(Raul Seixas)

Tudo aqui me falta
A taxa é muito alta
Dane-se quem não gostar

Miséria é supérfluo
O resto é que tá certo
Assovia que é prá disfarçar...

Falta de cultura
Ninguém chega à sua altura
Ó Deus!
Não fosse o Cabral

Por fora é só filó
Dentro é mulambo só
E o Cristo já não guenta mais
Cheira fecaloma
E canta La Paloma
Deixa meu nariz em paz

Falta de cultura
Ninguém chega à sua altura
Ó Deus!
Não fosse o Cabral

E dá-lhe ignorância
Em toda circunstância
Não tenho de que me orgulhar
Nós não temos história
É uma vida sem vitórias
Eu duvido que isso vai mudar...

Falta de cultura
Prá cuspir na estrutura
E que culpa tem Cabral?

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Quero Mais
(Raul Seixas, Kika Seixas e Cláudio Roberto)

Cheiro de mato, cheiro morno
Seu chamego, tenho sede
O seu suor é água que eu
Quero beber

Lhe faço festa, faço dengo
Lhe mordendo
E essa coisa vai crescendo
E eu me derramo em você

Ai, ai, ai, eu quero mais
Ai, ai, ai, eu quero muito mais

O nosso beijo é doce que nem rapadura
É uma dor que não tem cura
Que é bom de deixar doer

O mundo pára, enrolado nesse abraço
E no disparo do compasso
A gente mexe sem querer!

Ai, ai, ai, eu quero mais
Ai, ai, ai, eu quero muito mais

Eu quero mais, muito mais dessa brincadeira
Se enrolano na esteira
Coisa boa de brincar...
Eu sou que nem um vira lata vagabundo
Meu maior prazer do mundo
É ter você pra farejar

Ai, ai, ai, eu quero mais
Ai, ai, ai, eu quero muito mais

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Lua Cheia
(Raul Seixas)

Mulher, tal qual lua cheia
Me ama e me odeia
Meu ninho de amor

Luar, é meu nome aos avessos
Não tem fim nem começo
Ó megera do amor!

Você é a vil caipora
Depois que me devora
Ó jibóia do amor!

Negar que me cospe aos bagaços
Que me enlaça em seus braços
Tal qual uma lua do mar...

Ó lua cheia, véve piscando
Os seus óios para mim
Ó lua cheia, cê me ajudeia
Desde o dia em que eu nasci.

O Sol me abandona no escuro
Do teu reino noturno
Ó feiticeira do amor

Ouvir o teu canto de sereia
É caria na tua teia
Ó fada-bruxa do amor

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O Carimbador Maluco
(Raul Seixas)

Cinco, Quatro, Três, Dois...
Parem! Esperem aí!
Onde é que vocês pensam que vão
Hum, hum...

Plunct-Plact-Zummm
Não vai a lugar nenhum
Plunct-Plact-Zummm
Não vai a lugar nenhum

Tem que ser selado, registrado,
Carimbado, avaliado e rotulado
Se quiser voar
Pra lua: a taxa é alta
Pro sol: identidade
Mas, já pro seu foguete viajar pelo universo
É preciso o meu carimbo dando
Sim, sim sim

O seu Plunct-Plact-Zummm
Não vai a lugar nenhum
Plunct-Plact-Zummm
Não vai a lugar nenhum

Mas ora, vejam só, já estou gostando de vocês
Aventura como esta, eu nunca experimentei
O que eu queria mesmo era ir com vocês
Mas já que eu não posso boa viagem
Até outra vez!

Agora o Plunct-Plact-Zummm
Pode partir sem problema algum
Plunct-Plact-Zummm
Pode partir sem problema algum

Boa viagem meninos
Boa viagem

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Segredo da Luz
(Raul Seixas e Kika Seixas)

Os olhos verdes que piscam no escuro do céu
Filho da luz fui nascido da lua e do sol
Nas noites mais negras do ano eu mostro minha voz
Estrelas, estrelas
As estrelas brilham como eu!

As nuvens vagueiam no espaço sem lar nem raiz
O ódio não é real, é a ausência do amor
Ao fim é um grande oceano
Mãe, filho e luz...
Estrelas, estrelas
As estrelas brilham como nós!

As trevas da noite assustam escondendo o
Segredo da Luz!
Da luz que gargalha do medo e do escuro
Que é quando meus olhos não podem enxergar!

Dia, Noite!
Se é dia sou dono do mundo
E me sinto filho do sol
Se é noite me rendo às estrelas
Em busca de um farol!

Estrela, estrelas
As estrelas brilham como eu!!!

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Aquela Coisa
(Raul Seixas, Kika Seixas e Cláudio Roberto)

Meu sofrimento
É fruto do que me ensinaram a ser
Sendo obrigado a fazer tudo
Mesmo sem querer

Quando o passado morreu
E você não enterrou, o sofrimento
Do vazio e do amor
Ficam ciúmes, preconceitos de amor
E então? E então?

É preciso você tentar
Mas é preciso você tentar
Talvez alguma coisa muito nova
Possa lhe acontecer

Minha cabeça só pensa aquilo que ela aprendeu
Por isso mesmo eu não confio nela
Eu sou mais eu

Pra ser feliz é olhar
Pras coisas como elas são
Sem permitir da gente uma falsa conclusão
Seguir somente a voz do seu coração
E então? E então?

É preciso você tentar
Mas é preciso você tentar
Talvez alguma coisa muito nova
Possa lhe acontecer

E aquela coisa que eu sempre tanto procurei
É o verdadeiro sentido da vida
Abandonar o que aprendi
É parar de sofrer
Viver é ser feliz e nada mais!

Mas é preciso você tentar
Mas é preciso você tentar
Talvez alguma coisa muito nova
Possa lhe acontecer

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Capim-Guiné
(Raul Seixas e Wilson Aragão)

Plantei um sítio no sertão de Piritiba
Dois pé de pindaíba, caju, manga e cajá
Peguei na enxada como pega um catingueiro
Fiz acervo botei fogo. "Vá ver como é que tá"

Tem abacate, jenipapo, bananeira
Milho verde, macaxera, como diz no Ceará
Cebola, coentro, andu, feijão-de-corda
Vinte porco na engorda, inté gado no currá!

Com muita raça, fiz tudo aqui sozinho
Nem um pé de passarinho veio a terra semeá
Agora veja, cumpadi, a safadeza
Cumeçô a marvadeza todo bicho vem pra cá.

Num planto campim-guiné
Pra boi abaná rabo
Tô virado no diabo, eu tô retado cum você
Tá vendo tudo e fica aí parado
Cum cara de veado que viu caxinguelê.

Suçuarana só fez perversidade
Pardal foi pra cidade
Piruá minha saqué (qué, qué)
Dona raposa só véve na mardade
Me faça a caridade se vire e dê no pé.

Sagüim trepado no pé da goiabeira
Sarigüê na macaxeira, tem inté tamanduá
Minhas galinha já num fica mais parada
E o galo de madrugada tem medo de cantá.

Num planto campim-guiné
Pra boi abaná rabo
Tô virado no diabo, eu tô retado cum você
Tá vendo tudo e fica aí parado
Cum cara de veado que viu caxinguelê.

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Babilina
(Raul Seixas)

Babilina, Babilina
Saia do bordel
Babilina, Babilina
Saia desse bordel, minha filha
Quero exclusividade do seu amor
Cútis, cubidu-bilina por favor!

Eu tava seco há muito tempo
Quando eu lhe conheci
Provei do seu chamego
Nunca mais lhe esqueci...
À noite ce trabalha
Diz que é pra me sustentar
Passa o dia exausta
Que nem pode me olhar
É dentro de casa que eu te quero meu amor!
Larga desse emprego, baby
Por favor!

Babilina, Babilina
Saia do bordel
Babilina, Babilina
Saia desse bordel, minha filha
Quero exclusividade do seu amor
Cútis, cubidu-bilina por favor!

Quando cê chega com a bolsa
Entupida de tutu
Eu imagino quanta gente
Se deu bem no meu baú
Você me garante que não sente nada não
E que só comigo você tem satisfação
Mas é dentro de casa
Que eu te quero meu amor!
Larga desse emprego, baby
Por favor!

Babilina, Babilina
Saia desse bordel, minha filha

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