Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Bém-Bum! (1987)


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Quando Acabar o Maluco Sou Eu Go
Cowboy Fora-da-Lei Go
Paranóia II (Baby, Baby, Baby) Go
I Am (Gita) Go
Cambalache Go
Loba Go
Canceriano Sem Lar
(Clínica Tobias Blues) Go
Gente Go
Cantar Go
Muita Estrela, Pouca Constelação Go















Quando Acabar o Maluco Sou Eu
(Raul Seixas, Lena Coutinho e Cláudio Roberto)

Toda vez que eu olho no espelho a minha cara
Eis que sou normal e isso é coisa rara

A minha enfermeira tem mania de artista
Trepa em minha cama crente que é uma trapezista
Eu não vou dizer também que eu seja perfeito
Mamãe me viciou a só querer mamar no peito

Ehê, ahá! Quando acabar o maluco sou eu
Ahá! Quando acabar o maluco sou eu

O russo que guardava o botão da bomba H
Tomou um pilquinho e quis mandar tudo pro ar
Seu Zé preocupado anda numa de horror
Pois falta um carimbo no seu título de eleitor

Ehê, ahá! Quando acabar o maluco sou eu
Ahá! Quando acabar o maluco sou eu

Eu sou louco mas sou feliz
Muito mais louco é quem me diz
Eu sou dono do meu nariz
Em Feira de Santana ou mesmo em Paris

Não bulo com governo, com polícia, nem censura
É tudo gente fina, meu advogado jura
Já pensou o dia em que o papa se tocar
E sair pelado pela Itália a cantar

Ehê, ahá! Quando acabar o maluco sou eu
Ahá! Quando acabar o maluco sou eu

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Cowboy Fora-da-Lei
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Mamãe não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar

Papai não quero provar nada
Eu já servi à pátria amada
E todo mundo cobra a minha luz
Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz

Eu não sou besta pra tirar onde de herói
Sou vacinado, sou cowboy
Cowboy fora-da-lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar prá história é com vocês

Vamo entrar prá história pessoal

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Paranóia II (Baby, Baby, Baby)
(Raul Seixas, Lena Coutinho e Cláudio Roberto)

Eu vivo procurando em tudo quanto é lugar
Nos bares, nas igrejas eu tentei encontrar
Nos becos, nas esquinas, na lama e no pó
Até no bolso do meu paletó

Eu sei que essa coisa que eu tenho que achar
Talvez tão perto que a mão não possa tocar
Quem sabe uma gilete, talvez um coração
Olhei até debaixo do meu colchão

Baby, baby, baby, eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mas o que eu procuro você escondeu na barriga
Não quer me entregar
Que diabo você quer mais de mim?

Que triste história a minha, fui me apaixonar
Por alguém que tinha um brilho estranho no olhar
Caí na sua teia, serei a tua ceia
Um pacto com satã ainda quero tentar

Mana, Mona Lisa, cê tá rindo de mim
Garga-gargalhando seu canino de marfim
Eu faço qualquer coisa
Te dou tudo que eu tenho, ó bruxa
Por um pedacinho da paz que um dia eu perdi

Baby, baby, baby, eu preciso parar
Essa paranóia tenho que eliminar
Mas o que eu procuro você escondeu na barriga
Não quer me entregar
Que diabo você quer mais de mim?

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I Am (Gita)
(Raul Seixas e Paulo Coelho)

Since the beggining of time
Man has search for the great answer
It was given
Today I give it once more

Sometimes you ask me a question
You ask why I talk so little
I hardly ever speak of love
Don't side you and smiling so brittle

You think of me all the time
You eat me, spew me and leave me
Come forth, see through your ears
'Cause today I'll chalenge your sight

I am the star of the starlights
I am the child of the moon
Yes, I am your hatred of love
I am too late and too soon

Yes, I am the fear of failure
I am the power of will
I am the bluff of the gambler
I am, I move, I'm still

Yes, I am your sacrifice
The placard that spells "forbidden"
Blood in the eyes of the vampire
I am the curse unbidden

Yes, I am the black and the indian
I am the WASP and the jew
I am the Bible and the I-Ching
The red, the white and the blue

Why do you ask me a question
Asking is not going to show
That I am all things in existence
I am, I was, I go

You have me with you forever
Not knowing if it's bad or good
But know that I am in yourself
Why don't you just meet me in the woods

For I am the eaves of the roof
I am the fish and the fisher
"A" is the first of my name
Yes, I am the hope of the wisher

Yes, I am the housewife and the whore
Hunting the markets asleep
I am the devil at your door
I'm shallow, wide and deep

Yes, I am the law of Thelema
I am the fang of the shark
I am the eys of the blindman
I am the light in the dark

Oh, yes, I am bitter in your tongue
Mother, father and the riddle
I am the son yet to come
Yes, I'm the beggining, the end and the middle

Eu Sou (I Am - Gita)

Desde o início dos tempos
O Homem tem buscado a grande resposta
E ela foi dada
Hoje eu a dou mais uma vez

Às vezes você me pergunta
Porque é que eu sou tão calado
Eu dificilmente falo de amor
Nem fico sorrindo ao seu lado

Você pensa em mim toda hora
Me come, me cospe e me deixa
Vamos em frente, tente ver além
Porque hoje eu vou demonstrar

Eu sou o âmago das estrelas
Eu sou o filho da Lua
Eu sou o seu medo de amar
Eu sou a madrugada e o entardecer

Sim eu sou o medo da queda
Eu sou o poder da Vontade
Eu sou o blefe do jogador
Eu sou, eu movo, eu continuo

Eu sou o seu sacrifício
A placa que diz "proibido"
O sangue no olhar do vampiro
Eu sou a inesperada maldição

Sim, eu sou o negro e o índio
Eu sou o crente e o judeu
Eu sou a Bíblia e o I Ching
O vermelho, o branco e o azul

Por que você me pergunta
Perguntas não vão lhe mostrar
Que eu sou todas as coisas que existem
Eu sou, eu fui, eu vou

Você me tem com você para sempre
Mas não sei se é bom ou ruim
Mas saiba que estou em você
Não apenas na mata você me encontra

Eu sou a telha do telhado
Eu sou o peixe e o pescador
A é o primeiro dos meus nomes
Eu sou a esperança daquele que Quer

Eu sou a esposa e a prostituta
Caçando sonâmbulas pelos mercados
Eu sou o demônio na sua porta
Eu sou o raso, largo e profundo

Sim, eu sou a Lei de Thelema
Eu sou o dente do tubarão
Eu sou os olhos do cego
Eu sou a luz na escuridão
Eu sou o amargo na tua língua
A mãe, o pai e o enigma
O filho que está vindo
O início, o fim e o meio.

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Cambalache
(Ernesto Discépolo - Versão Raul Seixas)

Que o mundo foi e será uma porcaria eu já sei
Em 506 e em 2000 também
Que sempre houve ladrões, maquiavélicos e safados
Contentes e frustrados, valores, confusão
Mas que o século XX é uma praga de maldade e lixo
Já não há quem negue
Vivemos atolados na lameira
E no mesmo lodo todos manuseados

Hoje em dia dá no mesmo ser direito que traidor
Ignorante, sábio, besta, pretensioso, afanador
Tudo é igual, nada é melhor
É o mesmo um burro que um bom professor
Sem diferir, é sim senhor
Tanto no norte ou como no sul
Se um vive na impostura e outro afana em sua ambição
Dá no mesmo que seja padre, coveiro, rei de paus
Cara dura ou senador

Que falta de respeito, que afronta pra razão
Qualquer um é senhor, qualquer um é ladrão
Misturam-se Beethoven, Ringo Star e Napoleão
Pio IX e D. João, John Lennon e San Martin
Como igual na frente da vitrine
Esses bagunceiros se misturam à vida
Feridos por um sabre já sem ponta
Por chorar a bíblia junto ao aquecedor

Século XX "cambalache", problemático e febril
O que não chora não mama
Quem na rouba é um imbecil
Já não dá mais, força que dá
Que lá no inferno nos vamos encontrar
Não penses mais, senta-se ao lado
Que a ninguém mais importa se nasceste honrado
Se é o mesmo que trabalha noite e dia como um boi
Se é o que vive na fartura, se é o que mata, se é o que cura
Ou mesmo fora-da-lei

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Loba
(Raul Seixas, Lena Coutinho e Cláudio Roberto)

Se você quiser brincar-cá
De papai-mamãe comigo-go
Eu estou ao seu dispor-pô
Sem conseqüência de perigo-go

Bem vestida em seu nylon-lon
Me enreda em sua trança-ça
Como Rapunzel, pressinto
Você já não é mais uma criança-ça

Oh! Oh! Índole de loba libidinosa

Me abocanha na hora da mesa-as
Com seus olhos de olhar perdigueiro-ro
Seus pais não sabe o que fizeram
Um diabo sexy e traiçoeiro-ro

Oh! Oh! Índole de loba libidinosa

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Canceriano Sem Lar (Clínica Tobias Blues)
(Raul Seixas)

Estou sentado em minha cama
Tomando meu café pra fumar
Trancado dentro de mim mesmo
Eu sou um canceriano sem lar

Estou sentado em minha cama
Tomando meu café pra fumar
É, é, porém, mas, todavia
Eu sou um canceriano sem lar

Eu tomo café pra mim não chorar
Pergunto à nuvem preta quando o sol vai brilhar

Estou deitado em minha vida
E o soro que me induz a lutar
Estou na Clínica Tobias
Tão longe do aconchego do lar

All right, man
Play the blues
Clínica Tobias blues

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Gente
(Raul Seixas)

Gente é tão louca
E no entanto tem sempre razão
Quando consegue um dedo
Já não serve mais, quer a mão
E o problema é tão fácil de perceber
É que gente
Gente nasceu pra querer

Gente tá sempre querendo
Chegar lá no alto
Pra no fim descobrir
Já cansado que tudo é tão chato
Mas o engano é bem fácil de se entender
É que gente
Gente nasceu pra querer

Em casa, na rua, na praia, na escola ou no bar, ah!
É gente fingindo, escondendo seu medo de amar

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Cantar
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Eu já falei
Sobre disco voador
E da Metamorfose que eu sou
Eu já falei só por falar
Agora eu vou cantar por cantar

Já fui garimpeiro
Encontrei Ouro de Tolo
Eu já comi metade do bolo
Eu já avisei só por avisar
Agora eu vou cantar por cantar

Cantar tudo que vier na cabeça eu
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou cantar (Eu vou tocar, tocar)

Já fui Mosca na Sopa
Zumbizando em sua mesa
Também já fui Maluco Beleza
Eu já reclamei só por reclamar
Agora eu vou cantar por cantar

Cantar tudo que vier na cabeça eu
Eu vou cantar até que o dia amanheça
Eu vou cantar

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Muita Estrela, Pouca Constelação
(Raul Seixas e Marcelo Nova)

A festa é boa tem alguém que tá bancando
Que lhe elogia enquanto vai se embriagando
E o tal ego vai ficando lá nas alturas
Usar brinquinho pra romper as estruturas

E tem um punk se queixando sem parar
E um wave querendo desmunhecar
E o tal do heavy arrotando distorção
E uma dark em profunda depressão

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrala pra pouca constelação

Tinha um junkie se tremendo pelos cantos
Um empresário que jurava que era santo
Uma tiete que queria um qualquer
E um sapatão que azarava minha mulher

Tem uma banda que eles já vão contratar
Que não cria nada, mas é boa em copiar
A crítica gostou, vai ser sucesso ela não erra
Afinal lembra o que se faz na Inglaterra

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrala pra pouca constelação

E agora vem a periferia
O fotógrafo ele vai documentar
O papo do mais novo big star
Pra’quela revista de rock e de intriga
Que você lê quando tem dor de barriga

E o jornalista ele quer bajulação
Pós new old é a nova sensação
A burrice é tanta, tá tudo tão à vista
E todo mundo posando de artista

Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrala pra pouca constelação

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