A Pedra do Gênesis (1988)


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A Pedra do Gênesis
(Raul Seixas, Lena Coutinho e José Roberto Abrahão)

No fundo do oceano existe um baú
Que guarda o segredo
Almejado desde a aurora dos tempos
Por gênios, sábios, alquimistas e conquistadores

Eu conheci este baú
Num estranho ritual
Reservado à poucos.
Hoje eu posso enfim revelar
Que esta busca de séculos foi em vão.

A pedra do gênesis
A pedra do gênesis
Está bem aqui agora
A pedra do gênesis
Você pode tocar

É a escada do seu velho sonho
Que vai dar sempre onde começou
É a chave do maior poder
Que não vale um chiclete que alguém mascou
Mascou

A pedra do gênesis
A pedra do gênesis
Está bem aqui agora
A pedra do gênesis
Você pode tocar

É a pedra de cada dia
Que está no chão de qualquer lugar
Aonde o mendigo pisa
E o santo cospe quando passar, essa pedra

A pedra do gênesis
A pedra do gênesis
Está bem aqui agora
A pedra do gênesis
Você pode tocar

É Deus traçando linhas tortas
É mais um que nasce e começa a morrer
Jogando o jogo da velha
O jogo da guerra sem poder vencer, sem vencer

A pedra do gênesis
A pedra do gênesis
Está bem aqui agora
A pedra do gênesis
Você pode tocar

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A Lei
(Raul Seixas)

Todo homem tem direito
De pensar o que quiser
Todo homem tem direito
De amar a quem quiser

Todo homem tem direito
De viver como quiser
Todo homem tem direito
De morrer quando quiser

Direito de viver
Viajar sem passaporte
Direito de pensar
De dizer e de escrever

Direito de viver
Pela sua própria Lei

Direito de amar
Como e com quem ele quiser
Viva viva viva
Viva a Sociedade Alternativa
A Lei do forte. Essa é a nossa Lei e a alegria do mundo.
Faze o que tu queres há de ser tudo da Lei.
Faze isso e nenhum outro dirá não
Pois não existe Deus senão o homem.
Todo homem tem direito de viver a não ser pela sua própria Lei.
Da maneira que ele quer viver
De trabalhar como quiser e quando quiser.
De brincar como quiser.
Todo homem tem direito de descansar como ele quiser.
De morrer como ele quiser.
O homem tem direito de amar como ele quiser.
De beber o que ele quiser.
De viver onde quiser.
De mover-se pela face do planeta livremente, sem passaporte,
Porque o planeta é dele. O planeta é nosso.
O homem tem direito de pensar o que ele quiser.
De escrever o que ele quiser.
De desenhar, de pintar, de cantar, de compor o que ele quiser.
Todo homem tem direito de vestir-se da maneira que ele quiser.
O homem tem direito de amar como ele quiser.
Tomai de vossa sede de amor como quiseres, e com quem quiseres.
Há de ser tudo da Lei.
E o homem... tem direito de matar todos aqueles que contrariarem esses direitos.
Amar é a Lei, mas amor sob vontade.
Os escravos servirão.
Viva a Sociedade Alternativa.
Viva viva viva.

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Check-Up
(Raul Seixas)

Acabei de dar um check-up geral na situação
O que me levou a reler
Alice no País das Maravilhas
Acabei de tomar meu Diempax
Meu Valium 10 e outras pílulas mais
Duas horas da manhã
Recebo "nos peito" um Triptanol 25
E vou dormir quase em paz
E a chuva promete não deixar vestígios
E a chuva promete não deixar vestígios

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Fazendo o que o Diabo Gosta
(Raul Seixas e L. Coutinho)

Casamos no motel
Bem longe do altar
Lua de mercúrio, fogo e mel
Não fui o seu primeiro
Você já tinha estrada
Dois filhos, um travesseiro e a empregada

Um anjo embriagado
Num disco voador
Jurou que o nosso amor era pecado
Mas a história mostra
Que a gente agrada a Deus
Fazendo o que o Diabo gosta

Casamos por tesão
Tesão, tesão, tesão
Bateu, pegou, não tem mais solução
Te entrego os meus medos
Meus erros, meus segredos
Divido minhas guimbas com você

Quebramos nossas caras
Para se lamber depois
Amor e ódio é o certo pra nós dois
Casamos no motel
Bem longe do altar
Lua de mercúrio, fogo e mel

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Cavalos Calados
(Raul Seixas)

O termômetro registrou
A enfermeira confirmou
A minha morte aparente
A minha sorte
Minha camisa rasgada
No peito escorrendo
Óleo Diesel

O relógio alarmou
A TV anunciou
A minha morte
Preta e branca
A sua sorte
E o seu durex
Já não cola
Já não basta,
O tapa olho
Eu tenho mais um
Por entre as pernas cabeludas
Olhos e antenas,
Sobressalentes

O meu pulso não pulsou
O aparelho aceitou
A minha morte aparente
A sua sorte
Minha garganta sem voz

Acordo semi-lúcido
Entre a morte e a morte
Relembrando onde
Perdi minha língua atrevida
Pelas mortes?

Pelas vidas?
Pelas avenidas?
Pelas ave-marias cantadas em coros?
No meu violão?
Pelas ruas sem chão
Meu corpo tem dois mil e tantos
Cavalos Calados!!!

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Não Quero Mais Andar na Contra-Mão (No No Song)
(Hoyt Axton e D. P. Jackson - Versão Raul Seixas e L. Coutinho)

Hoje uma amiga da Colômbia voltou
Riu de mim porque eu não entendi
No que ela sacou aquele fumo ho ho
Dizendo que tão bom eu nunca vi

Eu disse não não não não
Eu já parei de fumar
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado
Eu já estou calejado
Não quero mais andar na contra-mão

Da Bolívia uma outra amiga chegou
Riu de mim porque eu não entendo
Quis me empurrar um saco daquele pó
Dizendo que tão puro eu nunca vi

Eu disse não não não não
Eu já parei de... (som de nariz cheirando)
Cansei de acordar pelo chão
Muito obrigado
Eu já estou calejado
Não quero mais andar na contra-mão

Titia que morava na Argentina voltou
Riu de mim porque eu não entendi
Me trouxe uma caixa de perfume, ehê
Daquela que não tem mais por aqui

Eu disse não não não não
Não brinco mais carnaval
Cansei de desmaiar no salão
Muito obrigado
Eu já andei perfumado
Não quero mais andar na contra-mão

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I Don’t Really Need You Anymore
(Raul Seixas e Cláudio Roberto)

I don’t really need you anymore
I’ve told you that some time before
You never got to understand, and
Not even care to be my friend

I don’t really need you anymore

I can do better by myself
When I was "low" you’d put me down, so down
You’ve a stone righ inmy way
I never had the guts to say

I don’t really need you anymore

You got your chance to go right now
Before I knock you on the ground
Now I’m so clear and I can see
You’ve never been the girl for me, man

I’d work at day and work at night
Trying hard to make you feel all right
You never shower cooperation
Too cool to show consideration, now

I don’t really need you anymore

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Senhora Dona Persona (Pesadelo Mitológico nº 3)
(Raul Seixas e Lena Coutinho)

Eu sei que você já gosta
De comer nossos bebês
Os mais tenros, mais gostosos
Com volúpia, embriaguez

Senhora dona Persona
Senhora dona Persona
Senhora dona Persona
Não tire mais um filho de mim

Eu queria ver sua cara
Não encontrei nenhuma cara
Mas você ainda me paga
Qualé, tá pensando que é Deus?

Senhora dona Persona
Senhora dona Persona
Senhora dona Persona
Não tire mais um filho de mim

Eu tô fazendo o meu caminho
E não peço que me sigam
Cada um faz o que pode
Os homens passam, as músicas ficam

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Areia da Ampulheta
(Raul Seixas)

Eu sou a areia da ampulheta
O lado mais leve da balança
O ignorante cultivado
O cão raivoso inconsciente
O boi diário servido em pratos
O pivete encurralado

Eu sou a areia da ampulheta
O vagabundo conformado
O que não sabe qual o lado
Espreito pesadas pirâmides
Cachaceiro mal amado
O triste-alegre adestrado

Eu sou a areia da ampulheta
O que ignora a existência
De que existem mais estados
Sem idéia que é redondo
O planeta onde vegeta
Eu sou a areia da ampulheta
Eu sou a areia da ampulheta
Mas o que carrega sua bandeira
De todo lugar o mais desonrado
Nascido no lugar errado
Eu sou... eu sou você
 

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