Renato Russo faz seu "Último Solo"

Folha de São Paulo

CD póstumo reúne oito sobras das gravações dos dois álbuns individuais do líder da banda Legião Urbana

Um ano após sua morte, o cantor Renato Russo volta às lojas com um novo disco. "O Último Solo" reúne sobras de estúdio dos dois álbuns de Renato sem a Legião Urbana: "The Stonewall Celebration Concert" (1994) e "Equilíbrio Distante"(1995).

Do primeiro, cantado em inglês, sobraram quatro músicas ("Hey, That's No Way to Say Goodbye", "The Dance", "I Love You Porgy" e "Change Partners"); do segundo, mais quatro ("Il Mondo Degli Altri", "Ti Chiedo Onestà", "Lettera" e "E tu Come Stai?").

Três músicas ficaram de fora das sobras. Segundo o tecladista e arranjador Carlos Trilha, que produziu o CD, a qualidade da voz e da interpretação de Renato ficariam muito aquém de "O Último Solo".

"As músicas em condições de serem apresentadas e que ele gostaria que fossem apresentadas ao público são essas que estão no disco", disse.

Trilha, que co-produziu os dois discos de Renato, começou a trabalhar em "O Úlitmo Solo" em março. Ele diz que teve muito trabalho para limpar os registros com a voz do cantor. Principalmente nas quatro músicas em italiano - com apenas a voz guia gravada.

Em duas músicas ("The Dance" e "Il Mondo Degli Altri") houve a adição de uma orquestra com mais de 40 músicos atendendo a indicações de arranjo do próprio Renato.

A Gravação foi feita no estúdio 1 de Abbey Road. Foi lá também que o álbum foi masterizado, por Nick Web (Paul McCartney, Genesis, Rolling Stones e Pink Floyd).

O disco, com menos de 30 minutos de duração, vem com alguns atrativos como compensação. Há uma faixa multimídia interativa para CD-ROM com o clipe de "Strani Amore" - de "Equilíbrio Distante" - e 12 minutos de um depoimento em áudio de Renato para a divulgação de seu CD anterior.

O título do CD foi uma escolha do pai do cantor, Renato Manfredini. Uma escolha de duplo sentido. "Musicalmente ele não vai cantar mais. O outro solo a que se refere o título é o solo de flores que ele escolheu para ter as cinzas dispersas", revelou.

Por isso, a capa é um quadro de flores pintado pela irmã do cantor, Carmem. "Renato sempre disse que esse quadro era dele e que um dia ele iria para seu apartamento."

Ele disse que a família não pretende fazer uma biografia de Renato - e contou que, até agora, se negou a colaborar com quem quis fazer. Mas pretende fazer uma compilação com as letras do cantor, incluindo as inéditas.

"Ele sempre nos disse que as letras eram bem explícitas e que quem procurasse entendê-las não precisaria saber da vida dele."