Divagações Sobre o Amor

(...) Que é o amor? Sorrieis. Sois práticos. Usais e sentis o amor como o homem que tem em casa luz, telefone, ventilador, geladeira e jamais se pergunta o que é a eletricidade. E quando se pergunta isso, logo lhe ocorre que é alguma coisa que vem pelo fio e pela qual se tem de pagar mensalmente a um polvo canadense qualquer. E que pode dar choque, e até matar, mas que usualmente acende lâmpadas e esquenta ferro.

Sois práticos; e tendo pago a conta da Light, vos julgai quites com a eletricidade em geral, e seus mistérios mais fundos. Assim, pagamos todos a conta do amor e dele usamos a luz e a força: e considerando que a vida é curta, acho que fazemos bem não indagando muita coisa.

Amor é, como a eletricidade, um fluido. Ficamos muito satisfeitos ao dizer isso, o que é um meio de não dizer nada. Seria infame se fôssemos parecer engenhosos usando palavras elétricas para os sentimentos, falando de voltagem, freqüência, acumuladores...

O que há de horrível no amor é que muitas vezes depois que ele acaba dá a impressão de que não devia ter começado e, pior ainda, de que não houve. "Não era amor"- declara o ex-apaixonado, com toda a sinceridade. Tempos atrás se alguém lhe dissesse isso ele se lançaria ao chão e invocaria as estrelas, premindo as mãos contra o peito, e dizendo que se aquilo não era amor não havia amor neste mundo.

 

 

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