Iluminação pelo Caminho Natural

Enviado por E-mail por Nayana

A história de um sábio que recebe instruções da natureza

HRIDAYANANDA DASA GOSWAMI

O HOMEM SANTO 1

Certa vez, há milhares de anos, o grande rei Mahãrãja Yadu andava por uma das florestas de seu reino quando observou um certo brãhmana avadhuta (Um filósofo santo que se desvencilhou das coisas mundanas e virou um andarilho) vagueando destemidamente por ali. Este homem santo parecia bastante jovem e erudito. Como também era erudito na ciência espiritual, o rei aproveitou-se da oportunidade para lhe perguntar o seguinte:

- Ó santo, posso ver que não estás ocupado em nenhuma atividade religiosa prática, contudo pareces ter adquirido uma compreensão muito clara de todas as coisas e de todas as pessoas desse mundo. Dize-me, por favor, como adquiriste esta inteligência extraordinária e por que estás viajando livremente pelo mundo, como se fosses uma criança?

De modo geral os seres humanos trabalham arduamente a fim de cultivar religiosidade, desenvolvimento econômico, gozo dos sentidos e também conhecimento da alma, e sua motivação comum é aumentar a duração de suas vidas, adquirir fama e gozar de opulência material.

Uma pessoa inteligente deve compreender que, se existe uma alma eterna diferente do corpo, então a felicidade verdadeira deverá estar em nossa situação eterna, além do cativeiro da natureza material. Contudo, as pessoas comuns, mesmo quando discutem assuntos espirituais, geralmente desejam tornar-se famosas ou aumentar sua riqueza e duração de vida através de tais práticas espirituais. Muitas pessoas comuns pensam, por exemplo, que o sistema de yoga destina-se ao aprimoramento da saúde, que se pode orar a Deus pedindo dinheiro e que nosso conhecimento espiritual destina-se a aumentar nosso prestígio perante a sociedade.

O poderoso rei continuou:

- Tu, porém, embora capaz, erudito, hábil, muito belo e eloquente, não te dedicas a fazer coisa alguma, nem tampouco desejas nada; pelo contrário, pareces estupefato e enlouquecido como se fosses uma criatura fantasmagórica. Ó brãhmana, pode-se ver que estás desprovido de qualquer contato com o prazer material e que viajas sozinho, sem companheiros ou membros familiares. Portanto, por favor, dize-nos, já que nossas indagações são sinceras, qual é a causa do grande êxtase que sentes interiormente?

Às vezes, pessoas ignorantes acham que a vida espiritual renunciada é para aqueles que são impotentes, ou simplórios, ou incompetentes em afazeres mundanos práticos. Às vezes elas dizem que a vida religiosa é uma muleta para quem não é assaz perito em alcançar um status elevado na sociedade. Porém, o inteligente rei Yadu, conhecendo nele os sintomas de um verdadeiro homem santo e sempre respeitoso com os brãhmanas, esperou com a cabeça baixa até que o brãhmana, satisfeito com a atitude do rei, pôs-se a falar.

Os gurus

- Meu querido rei, disse o brãhmana, tenho muitos mestres espirituais nos quais tenho me refugiado com minha inteligência. Tendo obtido deles compreensão transcendental, agora vagueio pela terra em condição liberada. Por favor, ouve-me atentamente enquanto eu descrevo.

- Refugiei-me em vinte e quatro gurus (mestres), que são os seguintes: a terra, o ar, o céu, a água, o fogo, a lua, o sol, o pombo, o píton, o mar, a mariposa, a abelha, o elefante e o "ladrão de mel" ; o veado, o peixe, a prostituta Pingalã, a ave kurara, a criancinha, a mocinha, o fazedor de flechas, a serpente, a aranha e a vespa. Meu querido rei, por estudar as atividades deles aprendi a ciência do eu. Por favor, ouve, ó grande Mahãrãja Yadu, ó tigre entre os homens, enquanto te explico o que aprendi com cada um desses gurus e como recebi essas lições da natureza.

Tolerância e magnanimidade

- Uma pessoa sóbria, prosseguiu o brãhmana, mesmo quando molestada por outros seres vivos, deve entender que seus agressores agem sob o controle de Deus, Krishna, e por conseguinte jamais deve se desviar do progresso em seu próprio caminho. Esta regra eu aprendi com a terra.

A terra é o símbolo da tolerância. Através de profundas perfurações petrolíferas, explosões atômicas, poluição e desastres ecológicos, a terra é constantemente molestada por entidades vivas demoníacas. Às vezes florestas densas verdejantes são destruídas por homens cobiçosos com interesses comerciais e, às vezes, a superfície da terra é encharcada pelo sangue dos soldados mortos em guerras cruéis. Entretanto, a despeito de todos esses distúrbios, a terra continua a fornecer todos os recursos para o ser vivo. Assim, podemos aprender a arte da tolerância, estudando as atividades da terra.

O brãhmana avadhuta continuou:

- Uma pessoa santa deve aprender com a montanha a dedicar todos os seus esforços a serviços dos outros e a fazer do bem-estar dos outros a única razão de sua existência. De forma semelhante, como discípula da árvore, ela deve aprender a dedicar-se aos outros.

Grandes montanhas sustentam quantidades ilimitadas de terra, que, por sua vez, dão vida a inúmeras formas de vida, tais como árvores, grama, pássaros, animais, etc. As montanhas também derramam ilimitadas quantidades de água cristalina sob a forma de cascatas e rios, e esta água dá vida a tudo. Estudando o exemplo das montanhas, devemos aprender a arte de fornecer felicidade a todas as entidades vivas. Do mesmo modo, podemos aprender lições excelentes com as árvores piedosas, as quais dão inúmeros benefícios, tais como frutos, flores, sombra refrescante, essências medicinais, beleza e lenha. Mesmo quando uma árvore é repentinamente derrubada e arrastada, ela não protesta, senão que continua a prestar serviço aos outros sob a forma de lenha. Assim, devemos nos tornar discípulos de tais árvores magnânimas e aprender com elas as qualidades de conduta santa.

Desapego da dualidade

O santo avadhuta então explicou a Mahãrãja Yadu que o transcendentalista também vê-se rodeado por inumeráveis objetos materiais que possuem qualidades boas e más. Contudo, alguém que tenha transcendido o bem e o mal materiais não se deve deixar enredar mesmo se estiver em contato com objetos materiais, mas, antes deve agir como o vento.

Às vezes, o vento sopra através de uma bela floresta, transportando deliciosas fragrâncias de frutos e flores. Em outros momentos, o vento é empregado como comburente e reduz a cinzas a mesma floresta. Entretanto, o vento mantém-se desapegado tanto nas atividades auspiciosas quanto nas inauspiciosas, permanecendo fixo em sua própria natureza. Semelhantemente, neste mundo material, é inevitável que deparemos com situações agradáveis e desagradáveis. Se, contudo, estivermos fixos na consciência de Krishna (Estado de espiritualidade onde se compreende e se respeita Deus (Krishna) e a sua criação) não nos deixaremos perturbar pelas coisas inauspiciosas nem nos apegaremos às coisas materialmente auspiciosas. Pode-se estar numa cidade infernal ou num bosque aprazível. Em ambos os casos deve-se fixar a mente no Senhor Krishna (Deus) e experimentar bem-aventurança transcendental. Portanto, devemos aprender com o vento a arte de andar pelo mundo material sem apego.

Em seguida o avadhuta disse:

- Mesmo que uma alma auto-realizada viva em diversos corpos materiais enquanto está neste mundo, experimentando suas qualidades e funções, ela nunca se enreda, assim como o vento transporta diversos aromas mas na verdade não se mistura com eles.

- Embora o vento poderoso sopre nuvens e tempestades pelo céu, o céu jamais se compromete nem é afetado por essas atividade. Analogamente, a alma espiritual realmente não se altera nem é afetada pelo contato com a natureza material. Embora o ser vivo tenha que nascer em um corpo feito de elementos materiais e seja impelido pelas forças da natureza, sua eterna natureza espiritual nunca é realmente afetada.

Qualidades de uma pessoa santa

- Ó rei, uma pessoa santa é assim como a água, porque está livre de toda contaminação, é amável por natureza, e, ao falar, produz uma bela vibração, como a da água corrente. Simplesmente por ver, tocar ou ouvir tal pessoa santa, a entidade viva se purifica, assim como uma pessoa se purifica pelo contato com água pura. Deste modo, uma pessoa santa, tal qual um lugar sagrado, purifica todos aqueles que entram em contato com ela, uma vez que sempre canta as glórias do Senhor.

Uma pessoa santa é como água pura, livre de toda a contaminação e capaz de purificar todas as coisas. Assim como a água pura é transparente a pessoa santa manifesta transparentemente a Personalidade de Deus dentro de seu coração. Este amor a Deus é o reservatório de toda a felicidade. A água produz uma vibração muito agradável à medida que flui e cai em cascata. De modo semelhante, a vibração sonora de um devoto puro do Senhor, é muito atraente e bela. Assim, por estudarmos a natureza da água, podemos compreender os sintomas de um devoto puro do Senhor.

- Uma pessoa santa, continuou o brãhmana, assim como o fogo, às vezes aparece sob forma oculta e outras vezes se revela. Para o bem-estar das almas condicionadas que desejam verdadeira felicidade, uma pessoa santa pode aceitar a posição adorável de mestre espiritual, e, assim como o fogo, reduzir o pecado passado e futuro daqueles que a adoram, aceitando misericordiosamente suas oferendas.

- As diversas fases da vida material, a começar do nascimento, e culminando na morte, são todas propriedades do corpo, e não da alma propriamente dita, assim como os aparentes minguar e crescer da Lua não afetam a Lua em si. Tais transformações são impostas pelo imperceptível fluir do tempo.

O corpo submete-se a seis transformações: nascimento, crescimento, manutenção, produção de subprodutos, degeneração e morte. De forma semelhante, a Lua parece crescer, diminuir e finalmente desaparece. Uma vez que o luar é um reflexo lunar da luz do Sol, subentende-se que a Lua em si não cresce nem diminui; ao invés disso, percebemos o reflexo da Lua em diversas fases. Analogamente, a alma eterna não nasce, nem morre, como diz o Bhagavad-gitã (Escritura sagrada da Índia, onde Krishna ensina a Arjuna sobre a espiritualidade do ser e de Deus). O corpo material é certamente uma manifestação efêmera e fantasmagórica da potência externa do Senhor.

O avadhuta continuou:

- Assim como o sol evapora grande quantidade de água com seus raios potentes e posteriormente devolve a água à terra sob a forma de chuva, da mesma forma, uma pessoa santa aceita toda espécie de objetos materiais em caridade e, no momento apropriado, quando lhe é solicitada, ela devolve os objetos sem manifestar apego algum. Assim, tanto ao aceitar quanto ao renunciar aos objetos dos sentidos, ela não se enreda.

Uma pessoa consciente de Krishna nunca se sente proprietária das opulências a ela confiadas pelo Senhor. Os devotos do Senhor Krishna não devem meramente acumular riqueza material, mas devem distribuir as opulências do Senhor Krishna de maneira apropriada. Esta é uma lição a ser aprendida com o Sol. Mesmo quando refletido em diversos objetos, o Sol nunca se divide, nem se funde em seu reflexo. Apenas aqueles que têm cérebros obtusos considerariam o Sol dessa maneira. De forma semelhante, embora a alma se reflita através de diferentes corpos materiais, ela permanece indivisa e não-material.

A LIÇÃO DO APEGO 2

O brãhmana avadhuta prosseguiu relatando a Mahãrãja Yadu suas experiências e o que ele aprendeu com diferentes seres vivos e elementos da natureza material.

- Jamais devemos entregar-nos a afeição ou preocupação excessivas com ninguém nem coisa alguma, senão passaremos a experimentar grande sofrimento exatamente como aconteceu com certo pombo tolo.

O pombo e a pomba

- Era uma vez um pombo que vivia na floresta juntamente com sua esposa, a pomba. Ele Havia contruído um ninho dentro de uma árvore e ali viveu por vários anos na companhia dela. Os dois pombos eram muitíssimo dedicados a seus afazeres domésticos. Com os corações atados por afeição sentimental, cada um deles atraía o outro com o olhar, com os movimentos do corpo e com revelações de pensamentos íntimos. Assim, a mesma afeição os atava um ao outro. Confiando ingenuamente no futuro, eles atuavam como um casal amoroso entre as árvores da floresta, descansando, conversando, divertindo-se, comendo e tantas outras atividades. Sempre que desejava algo, ó rei, a pomba seduzia seu esposo com lisonjeios e ele, por sua vez, a satisfazia, fielmente fazendo tudo o que ela queria, mesmo à custa de grandes dificuldades pessoais. Assim, ele não conseguia controlar os sentidos na companhia dela.

Os pombinhos

- Então, a pomba experimentou sua primeira gravidez. Quando chegou o momento, a casta senhora pôs uns quantos ovos dentro do ninho na presença de seu esposo. Daqueles ovos nasceram os bebês pombinhos, com membros delicados e peninhas, criação da potência inconcebível do Senhor.

- Assim, o pombo e a pomba desenvolveram muito afeto por seus filhos e sentiam muito prazer em ouvir o som de seu arrulho desajeitado, que para os pais parecia muito doce. Deste modo, com amor, eles se puseram a criar os pombinhos recém-nascidos. Os pais pombos ficavam muito alegres observando as asas suaves dos filhos, seus arrulhos, seus adoráveis movimentos inocentes em volta do ninho e suas tentativas de saltar e voar. Ao verem os filhos assim felizes os pais também ficavam felizes. Com os corações atados pela afeição mútua, e completamente confundidas pela energia ilusória de Deus, as tolas aves continuavam a cuidar da jovem prole que nascera delas.

O caçador

- Certo dia, os dois chefes da família saíram para buscar comida para os filhos. Estando muito ansiosos por alimentar sua prole adequadamente, eles erraram pela floresta por longo tempo. Enquanto isso, um certo caçador que vagueava por ali avistou os pombinhos brincando no ninho. Lançando sua rede, ele capturou todos os pombinhos.

- O pombo e sua esposa, sempre ansiosos quanto à manutenção de seus filhos voavam pela floresta com aquele propósito. Após obterem a comida necessária, eles finalmente regressaram ao ninho.

- Quando a senhora pomba viu seus próprios filhos presos na rede do caçador, ela encheu-se de angústia, e, chorando, precipitou-se em direção a eles enquanto estes gritavam chamando-a. A senhora pomba sempre havia se deixado atar pelas cordas de intensa afeição material, e por isso tinha a mente dominada pela angústia. Estando presa nas garras da energia ilusória do Senhor, ela esqueceu-se completamente de si mesma e, voando em direção a seus filhos desamparados, foi imediatamente presa pela rede do caçador.

- Ao ver seus próprios filhos, a quem ele queria mais do que a própria vida, fatalmente presos na rede do caçador, e ao ver sua queridíssima esposa, a qual ele considerava igual a ele mesmo sob todos os aspectos, o pobre pombo começou a se lamentar desgraçadamente:

- Ai de mim ! Vejam todos o que aconteceu comigo: agora estou arruinado. Obviamente sou um grande tolo e não executei atividades piedosas apropriadamente. Não pude me satisfazer nesta vida, nem pude satisfazer o propósito da vida. Minha querida família, que era a base de minha religiosidade, desenvolvimento econômico e gozo dos sentidos agora está desamparadamente arruinada. Eu e minha esposa formávamos um casal ideal. Mas ela agora, vendo seus filhos perdidos e seu lar vazio, me deixou para trás e irá para o céu com nosso santos filhos. Agora sou uma pessoa desgraçada vivendo num lar vazio. Minha esposa irá morrer, meus filhos também serão mortos ! Por que deveria eu objetivamente querer viver ? Sinto tanta dor no coração por ter de me separar da família que a própria vida passou a ser mera dor para mim.

O resultado do apego excessivo

- O pai pombo viu seus pobres filhos presos na rede e à beira da morte. Vendo-os a lutar pateticamente para se libertar, sua mente desorientou-se, e ao observá-los em desespero, ele próprio caiu na rede do caçador. O cruel caçador, tendo assim capturado o pombo chefe, sua esposa e todos os seus filhos, satisfez seu desejo e partiu para sua casa.

As portas da liberação estão inteiramente abertas para quem alcançou a vida humana. Apesar de tal oportunidade, se um ser humano simplesmente consagra seu tempo à vida familiar como a tola ave desta história, então ele deve ser considerado como alguém que sobe até um lugar bem alto apenas para tropeçar e cair.

PAZ, PACIÊNCIA E RENÚNCIA 3

O santo brãhmana disse:

- Ó rei, é inevitável que o ser vivo experimente misérias, sem as ter desejado. Do mesmo modo, ele há de experimentar felicidade mesmo sem que a busque. Assim, uma pessoa de discriminação inteligente não faz esforço algum para obter a felicidade material.

- Seguindo o exemplo do píton ( uma espécie de jibóia muito grande), deve-se abandonar os esforços materiais e aceitar manter-se com o alimento que a providência proporcione, quer este alimento seja delicioso ou insípido, quer muito, quer pouco,. Se em dado momento não consegue alimento, uma pessoa santa deve jejuar mesmo que seja por muitos dias sem fazer esforço algum. Ela deve entender que, por arranjo de Deus, deve jejuar e assim, seguindo o exemplo do píton, deve manter-se pacífica e paciente.

- Uma pessoa santa deve manter-se pacífica e materialmente inativa, mantendo o corpo material sem fazer muito esforço. Mesmo que goze de plenas forças, uma pessoa santa não deve se tornar materialmente ativa, mas deve, antes, manter-se sempre atenta a seu verdadeiro interesse pessoal.

Um transcendentalista não se esforça pela manutenção pessoal, sabendo que o Senhor o está protegendo sob todos os aspectos. O exemplo do píton é dado para que aprendamos a não desperdiçar nosso tempo inutilmente com a manutenção do corpo.

Contudo, não devemos entender erroneamente que o objetivo da vida é ficar deitado no chão como o píton, ou fazer um show de auto-flagelação. A mera renúncia ao mundo material é uma fase imatura de compreensão espiritual. Devemos saber como ocupar tudo a serviço de Deus. Assim, o exemplo do píton não nos estimula a nos tornarmos totalmente inativos, mas sim a nos tornarmos ativos espiritualmente, e consequentemente inativos no que diz respeito ao gozo material dos sentidos.

Equanimidade e atração sexual

O avadhuta continuou:

- Um sábio é alegre e amável em seu comportamento externo, ao passo que internamente ele é muito grave e pensativo. De fato, ele é como o oceano, que é insondável e insuperável. Como seu entendimento transcendental não pode ser medido ou limitado, ele nunca se perturba, e deste modo, sob todos os aspectos, ele é como as águas tranquilas do grande oceano.

- Quem não consegue controlar os sentidos sente-se imediatamente atraído ao ver a forma do sexo oposto, que é uma criação da energia ilusória do Senhor Supremo. É como a mariposa, que, enlouquecida pelo fogo, corre cegamente em direção às chamas.

- Um tolo sem discriminação inteligente se excita ao ver o sexo oposto. Ansiando pelo gozo dos sentidos, este tolo perde toda a inteligência e é arruinado, assim como a mariposa que se precipita em direção ao fogo ardente.

De fato o sexo tem o poder de atrair as pessoas através de todos os sentidos materiais. Isso tem sido explorado nos tempos modernos por enormes indústrias pornográficas que vitimam homens e mulheres desventurados. O exemplo da mariposa tola que se precipita em direção ao fogo e se destrói é bastante apropriado, pois, aquele que se enreda no prazer momentâneo da indulgência sexual certamente perde sua capacidade de compreender a realidade espiritual que está além da espessa matéria.

Buscando o néctar

O brãhmana avadhuta disse então:

- Uma pessoa santa deve aceitar apenas a comida suficiente para manter-se viva. Ela deve ir de porta em porta, aceitando apenas um pouco de comida de cada família. Assim, ela deve praticar a ocupação da abelha. Assim como a abelha tira o néctar de todas as flores, grandes e pequenas, o ser humano inteligente deve extrair a essência de todas as escrituras religiosas.

Um ser humano inteligente deve aprender com a abelha a extrair a essência ou o néctar de todo o conhecimento. Uma abelha não perde seu tempo, tentando levar consigo um arbusto inteiro ou um jardim, senão que tira o néctar essencial. Podemos, assim, estudar a diferença entre a abelha e o asno, que carrega pesadas cargas. Educação significa tornar-se um asno intelectual que carrega pesadas cargas de conhecimento inútil, porém devemos aceitar o conhecimento essencial que nos leve à vida eterna de bem-aventurança e conhecimento.

No momento atual, as pessoas de um modo geral têm um conceito sectário de religião, com o qual não podem chegar à compreensão científica da Verdade Absoluta. Se alguém se compraz e dogmatiza em conceitos sectários de religião, sem realmente compreender a ciência de Deus, deve estudar este exemplo da abelha.

A armadilha da ilusão

O brãhmana avadhuta continuou:

- Um homem santo nunca deve tocar uma mocinha. De fato, não deve nem mesmo deixar seu pé tocar numa boneca de madeira que tenha a forma de uma mulher. Através do contato com o corpo de uma mulher, ele será certamente capturado pela ilusão, assim como o elefante é capturado pela elefanta devido a seu desejo de tocar no corpo dela.

Captura-se os elefantes nas selvas da seguinte maneira: Cava-se um grande buraco que depois é coberto com grama, folhas e terra. Exibe-se então uma elefanta diante do elefante que a procurará com desejos luxuriosos e cairá na armadilha. Portanto, o desejo de saborear a sensação tátil é certamente a causa de ruína em nossas vidas e está é a lição que devemos aprender do elefante. Uma pessoa inteligente perceberá a grande propensão que o elefante tem de divertir-se com a elefanta e aproveitará a lição deste excelente exemplo. Por conseguinte, de uma forma ou de outra, não devemos nos deixar enganar pelo encanto da forma sensual do sexo oposto. Não devemos permitir que nossa mente se perca em sonhos luxuriosos de prazer sexual. Há diversos tipos de gozo dos sentidos que um homem e uma mulher podem desfrutar entre si, incluindo o falar, o contemplar, o tocar, o intercurso sexual, mas todos eles constituem a rede de ilusão através da qual ficamos desamparadamente presos, como animais. De alguma sorte, devemos manter afastados do gozo dos sentidos sob a forma de prazer sexual; senão, não será possível que compreendamos o mundo espiritual.

O Santo brãhmana continuou:

- Um homem dotado de discriminação inteligente não deve, sob circunstância alguma, tentar explorar a bela forma de uma mulher para o gozo de seus sentimentos. Assim como um elefante tenta desfrutar de uma elefanta e é morto por outros elefantes que também querem desfrutar da companhia dela, aquele que tenta desfrutar de uma mulher pode ser morto a qualquer momento por algum de seus outros amantes que sejam mais fortes do que ele.

A cobiça e a gula O erudito brãhmana disse então:

- Um homem cobiçoso acumula grande quantidade de dinheiro com muito esforço e dificuldade. Mas este dinheiro não é para ser generosamente dado em caridade nem é para ser desfrutado pela própria pessoa que tanto se esforçou para adquiri-lo. As abelhas se esforçam para produzir muito mel que depois é roubado por alguém, da mesma maneira como haverá sempre ladrões para roubar nossa riqueza, não importa como a escondamos ou tentemos protegê-la.

- Uma pessoa santa, que mora na floresta e renunciou a este mundo, jamais deve ouvir canções ou músicas que promovam o gozo material. Pelo contrário, tal santo deve estudar cuidadosamente a má sorte do veado, que é confundido pela doce música da corneta do caçador e assim é capturado e morto.

- Assim como o peixe é atraído pelo desejo de desfrutar de sua língua, e por conseguinte cai fatalmente na armadilha do anzol do pescador, de forma parecida, o tolo é confundido pelos impulsos da língua, a qual é extremamente perturbadora, e assim se arruina.

O pescador coloca uma isca em seu anzol e deste modo atrai facilmente o peixe ignorante, que cobiça em desfrutar de sua língua. Analogamente, as pessoas andam loucas atrás da satisfação de suas línguas e então perdem toda a discriminação em seus hábitos alimentares. Em troca de satisfação momentânea, constroem enormes matadouros, matam milhões de criaturas inocentes e deste modo preparam um futuro nefasto para si mesmas, por infligirem tanto sofrimento atroz a criaturas inocentes. Mesmo que alguém coma alimentos puros, mas os coma com gula e em quantidade excessiva, seu estômago ficará empanturrado, fazendo-a cair aos modos inferiores da natureza e cometer muitas atividades pecaminosas, que são a morte personificada. Devemos aprender cuidadosamente do peixe os verdadeiros perigos que se escondem no desejo de satisfazer a língua.

Mesmo que alguém conquiste todos os outros sentidos, enquanto não conquistar a língua, não poderá ser considerado um controlador dos sentidos. Contudo, aquele que é capaz de controlar a língua é aceito como uma pessoa que tem pleno controle sobre todos os sentidos.

Quando comemos, damos energia e atividade a todos os sentidos, e assim, se a língua é descontrolada todos os sentidos serão arrastados para a plataforma material de existência. Portanto, de qualquer maneira, devemos controlar a língua. Quando alguém jejua todos os outros sentidos se enfraquecem e perdem sua potência. A língua, porém, fica mais cobiçosa de saborear preparações deliciosas, e, quando finalmente se satisfaz a língua, todos os sentidos rapidamente se descontrolam. Portanto, aconselha-se que se aceite prasãdam, ou os restos do alimento oferecido ao Senhor, em proporção moderada. Uma vez que a língua também funciona para vibrar sons, deve-se vibrar o glorioso santo nome do Senhor _ Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rãma, Hare Rãma, Rãma Rãma, Hare Hare _ e assim saborear o êxtase da consciência de Krishna pura.

PINGALÃ, A PROSTITUTA 4

Ó filho de reis, prosseguiu o avadhuta, outrora, na cidade de Videha, morava uma prostituta chamada Pingalã. Agora, por favor, ouve o que aprendi com essa senhora.

- Certa vez, essa prostituta, desejando trazer um amante para dentro de sua casa, colocou-se à noite à porta mostrando a todos sua bela forma.

- A prostituta estava muito ansiosa por conseguir dinheiro, e, enquanto se mantinha à vista dos transeuntes à noite, ela os estudava e pensava: “Ah ! aquele ali certamente terá dinheiro. Sei que ele pode pagar meu preço e estou certa de que gostará muito de minha companhia”. Assim, ela ficava ali tecendo considerações sobre os homens que via na rua.

- Enquanto a prostituta Pingalã se exibia dessa maneira, muitos homens passavam à sua porta. Seu único meio de sustento era sua casa de prostituição e por isso ela pensava ansiosamente: “Talvez este que vem vindo seja muito rico... Oh ! ele não parou, mas estou certa de que algum outro virá logo. Com certeza este homem que lá vem desejará pagar por meu amor, e provavelmente me dará muito dinheiro”. Deste modo, com esperança vã, ela se mantinha recostada à porta, sem poder encerrar seu negócio e dormir. Por ansiedade, às vezes ela andava em direção à rua e às vezes voltava ao quintal de casa. Até que por fim chegou a meia noite.

- À medida que ia passando a noite, a prostituta, que desejava dinheiro tão intensamente, ficava cada vez mais taciturna e seu rosto murchava. Então, estando cheia de ansiedade por dinheiro e muito desapontada, começou a sentir um grande desapego de sua situação e daí a felicidade surgiu em sua mente.

A espada do desapego

Por esta narrativa, parece que naquela noite em particular a prostituta Pingalã não teve absolutamente sucesso em atrair fregueses para sua casa. Frustrando-se e desapontando-se completamente, aos poucos ela se tornou indiferente àquela situação. De forma que às vezes um grande sofrimento conduz ao caminho da iluminação, ou, segundo um provérbio indiano, o desapontamento provoca a maior satisfação. O brãhmana avadhuta continuou a narrar o seguinte:

- A prostituta ficou desgostosa de sua situação material, e por conseguinte tornou-se indiferente. Na verdade, o desapego atua como uma espada, que despedaça a rede de esperanças e desejos materiais que nos ata a este mundo.

A rede de desejos materiais é criada quando pensamos falsamente que podemos nos estabelecer permanentemente no mundo material. É possível cortar esta rede oprimente com a espada do desapego, caso contrário seremos forçados a penar na ilusão sem compreender a vida liberada da plataforma espiritual. Assim como um ser humano que é desprovido de conhecimento espiritual nunca deseja abandonar seu falso sentido de propriedade sobre muitas coisas materiais, de forma semelhante, uma pessoa que não tenha desenvolvido desapego nunca deseja abandonar o cativeiro do corpo material.

Torturando a própria alma

A prostituta Pingalã disse:

- Vejam todos quão grande é minha ilusão. Por não poder controlar minha mente, tal qual um tolo, desejo prazer carnal de qualquer homem insignificante. Sou tão tola que abandonei o serviço àquela pessoa que realmente me quer muito, estando situada eternamente em meu coração. Este ente querido é o Senhor do Universo que concede amor e felicidade verdadeiros, e que é a fonte de toda a prosperidade. Embora Ele esteja em meu próprio coração, eu O menosprezei completamente e, ao invés, tenho ignorantemente servido a homens insignificantes que jamais poderão satisfazer meus verdadeiros desejos e que só me causaram infelicidade, temor, ansiedade, lamentação e ilusão.

- Oh, como tenho torturado inutilmente a minha própria alma. Tenho vendido meu corpo a homens luxuriosos e cobiçosos que são eles mesmos objetos de piedade. E assim, praticando a profissão muito abominável de uma prostituta, esperei conseguir dinheiro e prazer sexual.

A arte da prostituição baseia-se em despertar nos homens sua propensão ao prazer. Aparentemente, essa prostituta era tão tola que mantinha um conceito romântico de sua profissão e estava realmente tentando desfrutar de casos amorosos com seus fregueses, não compreendendo que eles eram os mais baixos dos homens, com intenções abomináveis. De qualquer modo, se alguém sente atração pelo serviço devocional ao Senhor, como aconteceu com a prostituta Pingalã, poderá compreender que, por abandonar o serviço ao Senhor, uma pessoa simplesmente se torna vítima da energia ilusória do Senhor, e o único resultado possível desta tolice será um grande sofrimento.

Pingalã descobre a farsa

A prostituta continuou:

- Este corpo material é como uma casa em que eu, a alma, vivo. Os ossos são como as vigas mestres, vergalhões e pilares da casa, e assim meu corpo constitui-se de uma espinha, costelas, fêmures e tantos outros ossos, coberto de pele, de pêlos e unhas e cheio de fezes e urina. As nove portas que conduzem a este corpo estão constantemente se deteriorando. Deste modo que, além de mim, que mulher poderia ser tão tola ao ponto de consagrar sua vida a este corpo material, achando que encontrará prazer e amor nesta engenhoca ?

- Sem dúvida, eu sou a única pessoa completamente tola nesta cidade de Videha. Tenho menosprezado a Suprema Personalidade de Deus que nos dá tudo, inclusive nossa forma espiritual original, e, ao invés, desejei desfrutar de gozo dos sentidos com outros homens.

-Os homens suprem as mulheres com o gozo dos sentidos, mas, tanto os homens quanto o gozo de seus sentidos, e até mesmo os semideuses que vivem no céu têm um começo e um fim. Todos eles são criações temporárias que serão arrastadas pelo tempo. Então, quanto prazer ou felicidade verdadeiros poderia algum deles dar a suas esposas ? Nenhum.

Neste mundo material, todos estão basicamente procurando o gozo de seus próprios sentidos, e por isso todos são arruinados pela influência do tempo. Na plataforma material, ninguém ajuda realmente ninguém. O dito amor material não passa de mero processo de tapeação, que a senhora Pingalã está descobrindo agora.

A satisfação e a misericórdia de Krishna

Aí ela disse:

- Embora eu obstinadamente pensasse em desfrutar do mundo material, de alguma maneira o desapego surgiu em meu coração e está me fazendo muito feliz. Portanto, a Suprema Personalidade de Deus, Visnu, deve estar satisfeito comigo. Devo ter executado alguma atividade, embora desconhecida para mim, que satisfez ao Senhor.

- Alguém que desenvolva desapego pode abandonar o cativeiro da sociedade, amizade e amor materiais. Alguém que passa por grande sofrimento gradualmente se desapega e se torna indiferente ao mundo material, por desesperança. Assim, devido a meu grande sofrimento, tal desapego surgiu em meu coração. Como, então, pude ter me submetido a um sofrimento tão misericordioso se na realidade eu era desventurada ? Portanto, sou afortunada e recebi a misericórida do Senhor. Por isso acho que de alguma maneira Ele ficou satisfeito comigo.

Com devoção, aceito sobre minha cabeça o grande benefício que o Senhor me concedeu. Abandonando meus desejos pecaminosos de gozo ordinário dos sentidos, refugio-me agora nEle, a Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna. Agora estou completamente satisfeita e tenho plena fé na misericódia do Senhor. Portanto, doravante hei de me manter com o que a providência me fornecer. Hei de gozar da vida somente com o Senhor, visto que Ele é a verdadeira fonte de amor e felicidade.

A serpente do tempo

A inteligência da entidade viva é roubada por atividades de gozo dos sentidos, e assim ela cai no poço escuro da existência material. Dentro desse poço, ela é então atacada pela mortal serpente do tempo. Quem mais além da Suprema Personalidade de Deus poderia salvar a pobre entidade viva de tal condição desesperada ? Quando a entidade viva vê que o universo inteiro está sendo atacado pela serpente do tempo, ela se torna sóbria e sensata, e nessa altura desapega-se de todo o gozo material dos sentidos. Nesta condição, a entidade viva se qualifica para ser sua própria protetora.

Uma vez que Pingalã estava glorificando a Personalidade de Deus por Este dar-lhe a misericórdia de salvá-la, pode ser que alguém questione se ela estava adorando o Senhor por amor ou se ela não passava de mera salvacionista. Por conseguinte, nesta passagem ela afirma que, pela misericórdia do Senhor, uma alma auto-realizada pode ver que todo o Universo existe dentro das garras da grande serpente do tempo. Certamente esta não é uma situação promissora, e quem vê a coisa dessa maneira perde seu desejo de gozo dos sentidos. Assim, sendo espiritualmente sensata, a entidade viva pode proteger-se da ilusão pela misericórdia sem causa do Senhor. Pingalã declara que doravante vai adorar o Senhor apenas por amor, visto que em seu estado de consciência de Krishna ela já está liberada. Agora o programa dela será de simplesmente prestar serviço amoroso à Personalidade de Deus, sem nenhum desejo pessoal, incluindo o de se salvar.

Noite feliz

Deste modo, completamente decidida, Pingalã eliminou todos os seus desejos pecaminosos de desfrutar de prazer sexual com amantes, e situou-se em perfeita paz. Aí ela sentou-se em sua cama.

O desejo material é indubitavelmente a causa da maior das infelicidades, e a maior das felicidades ocorre quando nos libertamos de tal desejo. Portanto, eliminando completamente o desejo de desfrutar de ditos amantes, Pingalã foi dormir alegremente.

O GAVIÃO FELIZ 5 O santo brãhmana disse:

- Cada pessoa no mundo material considera que determinadas coisas lhe são muito queridas, e, devido ao apego a tais coisas, uma pessoa consequentemente torna-se miserável. Se alguém entende isto abandona o sentido de posse materiais e o apego material e desta maneira alcança felicidade ilimitada.

- Certa vez, vários gaviões que não conseguiam encontrar presas atacaram outro gavião que segurava um pedaço de carne. Naquel altura, como sua vida estivesse em perigo, o gavião abandonou sua carne e experimentou verdadeira felicidade. Incitadas pelos modos da natureza, as aves também se tornam violentas e matam outras aves para comer sua carne, ou para roubar a carne obtida por outras aves. Os gaviões, abutres e águias estão classificados nesta categoria. Contudo, devemos abandonar a propensão invejosa de cometer violência contra os outros e adotar a consciência de Krishna, através da qual vemos toda entidade viva como sendo igual a nós mesmos. Nesta plataforma de felicidade real, não invejamos ninguém, e por isso não consideramos ninguém nosso inimigo.

O devoto e o retardado Em seguida, o avadhuta disse:

- Na vida familiar, os pais estão sempre ansiosos acerca de seu lar, filhos e reputação. Mas eu nada tenho a ver com essas coisas. Não me preocupo em absoluto com família alguma, e não me importo com honra e desonra. Gozo da vida apenas no plano da alma e encontro amor na plataforma espiritual. Assim, vagueio pela terra como uma criança.

- Neste mundo, dois tipos de pessoas são livres de toda a ansiedade e vivem imersas em grande felicidade: aquele que é um tolo retardado e infantil e aquele que se aproximou do Supremo Senhor Krishna, que está além dos três modos da natureza material.

Aqueles que buscam ardentemente o gozo material dos sentidos são lançados pelas leis da natureza a condições de vida miseráveis. Os que são atentos e ambiciosos materialmente estão constantemente em ansiedade e, de tempos em tempos, se vêem arrojados em grande miséria. Os que são tolos e retardados vivem num paraíso de tolos, e os que se rendem ao Senhor Krishna vivem saturados de bem-aventurança transcendental. Isto não quer dizer que o devoto e o tolo retardado estão na mesma plataforma. A paz do tolo é como a paz de uma pedra, ao passo que a satisfação de um devoto baseia-se em conhecimento perfeito. Embora tanto a pedra quanto o santo sejam pacíficos, a experiência não é a mesma, apesar de ambos estarem externamente livres da ansiedade comum dos que são materialmente ambiciosos.

A mocinha e os braceletes

Então o santo brãhmana contou outra história ao rei:

- Certa vez, uma mocinha em idade de se casar estava só em sua casa, já que seus pais e outros parentes haviam saído. Naquela altura, chegaram alguns homens à casa, especificamente desejando casar-se com ela, e ela os recebeu com toda a hospitalidade.

- A mocinha dirigiu-se a um canto privado da casa e pôs-se a preparar arroz de modo que os convidados inesperados pudessem comer. Enquanto ela descascava o arroz, os braceletes de conchinhas em seus braços colidiam entre si e faziam muito barulho.

- A mocinha temia que os homens cosiderassem sua família muito pobre, já que a filha dedicava-se ativamente à tarefa subalterna de descascar arroz. Sendo muito inteligente, a tímida mocinha tirou os braceletes de seus braços, deixando apenas dois em cada pulso.

- Em seguida, enquanto a mocinha continuava descascando arroz, os dois braceletes em cada pulso continuavam colidindo um contra o outro e a fazer barulho. Daí, ela tirou um bracelete de cada braço, e com apenas um restante em cada pulso cessou todo o barulho.

- Ó subjugador do inimigo, eu viajo por toda a superfície da terra, aprendendo constantemente sobre a natureza deste mundo, e deste modo testemunhei pessoalmente a lição da mocinha.

- Não estou aqui apresentando conhecimento teórico, mas, ao vaguear pelo mundo, sendo muito observador e pensativo, experimento pessoalmente as lições aprendidas com todos os gurus que já mencionei. Assim, tento explicar, com toda humildade possível, o que aprendi fielmente nessas lições em minhas viagens.

- Quando muitas pessoas vivem juntas em um só lugar, continuou ele, indubitavelmente haverá aí desavenças. E mesmo que apenas duas pessoas vivam juntas haverá conversas frívolas e desentendimentos. Portanto, para evitar conflitos, devemos viver sós, como aprendemos do bracelete da mocinha.

A mocinha na história manteve apenas um bracelete em cada pulso para que não houvesse conflito de ruídos nos braceletes. Da mesma forma, devemos abandonar a companhia daqueles que não são devotados ao Senhor Supremo. Este é o verdadeiro preceito. Um verdadeiro santo sempre possui caráter puro. Contudo, nos lugares onde os materialistas se congregam certamente haverá inveja do serviço devocional ao Senhor, e, na falsa tentativa de analisar a realidade sem a Suprema Personalidade de Deus, haverá muito barulho perturbador em nome da filosofia. Se todos se dedicarem a glorificar a Personalidade de Deus, Krishna, não haverá obstáculo algum na associação mútua. Entretanto, em um lugar onde as pessoas têm muitos propósitos diferentes além do prazer do Senhor Supremo, a companhia de muitas pessoas inutilizará tudo. Uma pessoa deve evitar a companhia daqueles que são hostis ao objetivo de sua vida, caso contrário, se frustrará a missão de sua vida. Quem sempre se mantém na companhia dos devotos do Senhor Está realmente vivendo só. Normalmente, uma pessoa escolhe sua residência para sua conveniência pessoal. Portanto, se alguém vive em comunidade onde a única consideração é o prazer do Senhor, então não há possibilidade de viver em uma situação contraditória onde muitas pessoas estão tentando satisfazer-se a si mesmas. Foi esta a lição que o brãhmana compreendeu inteligentemente dos braceletes da mocinha

A META DA YOGA 6

O santo brãhmana continuou:

- Tendo aperfeiçoado as posturas sentadas da yoga, e tendo dominado o processo respiratório, deve-se estabilizar a mente através do desapego e da prática regulada de yoga.

- Pode-se controlar a mente quando ela se fixa na Suprema Personalidade de Deus. Ao atingir uma situação estável, a mente pode, pois, libertar-se dos desejos impuros de executar atividades materiais. Daí, à medida que se fortaleça o modo da bondade, pode-se abandonar completamente os modos da paixão e da ignorância. Aos poucos transcende-se até mesmo o modo material da bondade, e assim, da mesma forma que o fogo se extingue quando se lhe suprime o combustível, quando a mente se liberta do combustível dos modos da natureza, a existência material se extingue e alcança-se a plataforma transcendental onde é possível unir-se diretamente com o objetivo da meditação. Devido à interação dos três modos da natureza criam-se grandes obstáculos no caminho do avanço espiritual, e corre-se o perigo de ser lançado na escuridão da ignorância. Portanto, aqueles que têm experiência em psicologia prática conhecem os perigos da mente descontrolada, e se esforçam constantemente por dominar a mente. Se alguém consegue libertar-se da influência dos modos materiais da paixão e da ignorância, a vida dele torna-se muito auspiciosa. Controlar a mente e libertar-se da influência dos modos da natureza é o único meio de realizar progresso verdadeiro na vida. Renunciar às propensões materiais da mente não significa fundir-se em existência impessoal, tal como se experimenta no sono sem sonhos. Como declara o brãhmana avadhuta, é preciso estabelecer-se firmemente no modo da bondade e depois elevar-se à plataforma espiritual, na qual pode-se morar na companhia da Suprema Personalidade de Deus.

Absorção amorosa

O Santo brãhmana disse então:

- Portanto, quando nossa consciência se fixa completamente em Deus, a Verdade Absoluta, não vemos mais dualidade em termos de realidade interna e externa. A este respeito, dá-se o exemplo do fazedor de flechas, que estava tão absorto em fazer uma flecha reta que nem sequer viu ou percebeu o próprio rei que passava bem próximo dele.

Subentende-se que quando um rei passa por uma via pública, ele vem rodeado por tambores e outros instrumentos musicais, soldados, etc. De modo que, a despeito de todo este séquito real passar bem próximo de sua oficina, o fazedor de flechas nem sequer o percebeu, pois estava completamente absorto em seu dever prescrito de fazer uma flecha reta e afiada. Quem está inteiramente absorto em serviço devocional amoroso a Sri Krishna, a Verdade Absoluta, não presta mais nenhuma atenção à ilusão material. Nesta plataforma, não existe atração nem aversão aos objetos dos sentidos, mas, antes, absorção amorosa em Krishna, a Verdade Absoluta, e um desejo irresistível de agradar-lhe através do serviço devocional. Alguém que não possa ver que o Senhor Krishna, a Verdade Absoluta, é o fundo e a base de tudo o que existe será confundido pelo falso conceito de que há algo que não seja Krishna.

A lição da serpente

O avadhuta continuou:

- Uma pessoa santa deve manter-se solitária e viajar constantemente, sem nenhuma residência fixa. Assim, mantendo-se concentrada, ela deve permanecer isolada e deve agir de tal maneira que não seja reconhecida ou percebida pelos outros. Movimentando-se sem companheiros, ela não deve falar mais do que o necessário.

Aqui o brãhmana avadhuta refere-se indiretamente à serpente, de quem aprendemos que uma pessoa santa não deve se associar com pessoas materialistas comuns, assim como a serpente que, temendo ser atacada por seres humanos, mantém-se oculta. Portanto, uma pessoa santa deve evitar de ter residência fixa e deve vaguear sem ser percebida pelos outros. Depois ele disse:

- Quando uma pessoa que vive num corpo material temporário tenta construir um lar feliz, o resultado disso é infrutífero e miserável. A cobra entra numa casa que foi construída pelos outros e dessa maneira sua felicidade aumenta.

A cobra não tem a propensão a construir sua própria casa, mas, antes, vive em um lugar adequado, construído por outras criaturas, e deste modo não se enreda neste esforço.

Lições do reino dos insetos

Em seguida, o avadhuta disse:

- Assim como a aranha de dentro de si extrai teia através de sua boca, brinca com ela por algum tempo de acordo com seu desejo e depois a engole, da mesma forma, a Suprema Personalidade de Deus expande sua potência pessoal de dentro de Si mesmo. Assim, o Senhor revela a rede de manifestação cósmica, utiliza-a de acordo com seu propósito e então a recolhe completamente para dentro de Si mesmo.

- Aquele que é inteligente obtém conhecimento espiritual até mesmo de um inseto como a aranha. Deste modo, o conhecimento transcendental é visível em toda a parte para alguém cujos olhos estão abertos em consciência de Krishna.

- Onde quer que alguém fixe sua mente, continuou o avadhuta, com completa concentração e com a ajuda da inteligência, quer sua motivação seja amor, ódio ou temor, ele certamente alcançará a forma daquilo que está meditando.

- Ó rei, uma vespa forçou um inseto mais fraco a entrar em sua colméia e o manteve preso ali. O inseto fraco, com muito medo, meditava constantemente em seu capturador, e dessa maneira, sem abandonar seu corpo, aos poucos atingiu o mesmo estado de existência que a vespa. Portanto, através deste exemplo compreende-se que uma pessoa atingirá o estado de existência equivalente ao objetivo de sua concentração constante.

Pelo que o avadhuta diz a respeito da vespa e do inseto capturado por ela, não é difícil compreender que se alguém estiver meditando constantemente na Suprema Personalidade de Deus, obterá um corpo espiritual exatamente como o do Senhor. Com completa absorção de consciência, certamente obteremos na próxima vida uma forma exatamente equivalente àquela na qual meditávamos. Este é outro exemplo que se aprende do reino dos insetos.

Entretanto, alguém poderá questionar que, já que o inseto mais fraco desta história não mudou fisicamente de corpo, como se pode dizer que ele atingiu o mesmo estado de existência da vespa, mesmo nesta vida ? Na verdade, através da meditação constante em um determinado objeto, nossa consciência fica saturada com as qualidades daquele objeto. Devido ao temor extremo, o inseto menor absorveu-se nas características e atividades da vespa, e em sua vida seguinte tomou realmente o corpo de uma vespa, devido a tal meditação.

De modo semelhante, embora sejamos almas condicionadas, se absorvemos nossa consciência no Senhor Krishna, poderemos nos tornar almas liberadas ainda nesta vida, mesmo sem deixar nosso corpo atual. Se nossa inteligência se estabilizar na plataforma espiritual pela compreensão de que o Senhor Krishna é tudo, poderemos então abandonar a consciência desnecessária do corpo externo e nos absorver nos passatempos espirituais do mundo espiritual. De modo que, mesmo sem morrer materialmente, poderemos nos transferir à plataforma espiritual e gozar da vida como almas liberadas. Ou então, se formos tolos obstinados, ai, mesmo nesta vida, poderemos nos transformar em verdadeiros animais, tais como o porco e o cão. Portanto, a vida humana destina-se à compreensão da ciência da consciência e dos futuros resultados de nossa meditação.

O corpo mestre

O erudito avadhuta continuou

- Ó rei, adquiri grande sabedoria de todos os mestres espirituais que te mencionei. Agora, por favor, ouve-me enquanto te explico o conhecimento que aprendemos com nosso próprio corpo:

- O corpo material também é o mestre espiritual porque me ensina o desapego. O corpo está sempre sujeito à criação e à destruição e por isso sempre leva a um fim doloroso. Assim, embora eu use este corpo para compreender a verdade do mundo, sempre me lembro de que no final de contas este corpo será consumido por outros, e deste modo, mantendo-me desapegado do corpo, movimento-me por este mundo.

- Com muito esforço, um ser humano acumula dinheiro para satisfazer os desejos do corpo material, e, munido de tal prosperidade, expande e protege a posição de sua esposa, filhos, propriedade, animais domésticos, criados, casas, parentes, amigos, etc. No fim da vida, este corpo, exatamente como uma árvore moribunda que já produziu a semente de uma futura árvore, manifesta a semente de nosso próximo corpo material sob a forma de nosso karma (Atividades materiais e suas reações subsequentes) acumulado, executado com o corpo moribundo. Garantindo assim a continuação da existência material, o corpo material curva-se e sucumbe.

Pode ser que alguém argumente que, entre todos os gurus mencionados até agora, o corpo material é sem dúvida o melhor, visto que outorga desapego e inteligência sutil, com os quais podemos nos ocupar no serviço devocional ao Senhor. Assim, embora o corpo seja temporário, talvez alguém argumente que devemos servir ao corpo com muito apego, ou arriscaremos cometer a ofensa da ingratidão. Portanto, como pode alguém recomendar que nos desapeguemos do corpo quando o corpo é dotado de tantas qualidades maravilhosas ? A resposta é que na verdade o corpo não outorga desapego e conhecimento, mas, antes, o corpo é tão cheio de misérias que qualquer pessoa de bom senso pode perceber a inutilidade da vida material. Assim como uma árvore produz as sementes da árvore seguinte e depois morre, este corpo é cheio de desejos luxuriosos que induzem a alma condicionada a criar mais uma corrente de karma, e assim o corpo, tendo aberto o caminho para uma continuação indefinida de existências materiais, cai morto.

Por que não compreendemos claramente a diferença entre o corpo e a alma, pensamos tolamente que o corpo e a alma são idênticos, e que é possível tornar-se perfeitamente feliz na plataforma do gozo dos sentidos corpóreos. Portanto, aqueles que tolamente aceitam o corpo temporário como a coisa mais importante não podem ser comparados às almas auto-realizadas que compreendem inteligentemente a superioridade da alma eterna.

A forma humana de vida

O santo brãhmana continuou:

- Ao expandir Sua própria potência, a Suprema Personalidade de Deus criou inúmeras espécies de vida para acomodar as almas condicionadas. Assim, o Senhor criou as formas das árvores, répteis, animais, aves, serpentes, etc., todavia, dentro de Seu coração, o Senhor ainda não estava satisfeito. Aí Ele criou a forma humana de vida na qual a alma condicionada adquire inteligência suficiente para perceber a Verdade Absoluta, e então o Senhor ficou feliz.

As espécies inferiores de vida, tais como as da vaca e do cavalo, não são realmente adequadas para cumprir o propósito da criação. Porém, a forma humana de vida concede-nos a oportunidade de compreendermos nossa relação eterna com Deus. Na forma humana de vida, a alma é plenamente dotada de inteligência para compreender o conhecimento espiritual. Assim, na vida humana a alma pode falar de conhecimento com compreensão prática, ver a verdade, conhecer o futuro e também entender a realidade tanto deste mundo quanto do próximo. Aproveitando-se da experiência da vida mortal, a alma na forma humana pode esforçar-se por atingir a imortalidade e o corpo humano é plenamente equipado para atingir este fim.

Portanto, devemos dominar os agressivos agentes dos sentidos materiais e cumprir o verdadeiro propósito da vida humana. A criação material do Senhor consta de entidades vivas desfrutadoras e da matéria morta, que está aí para ser desfrutada pelas pessoas menos inteligentes. O Senhor, porém, não fica satisfeito com as espécies de vida em que a entidade viva se esforça cegamente por obter gozo dos sentidos sem nenhum entendimento de sua própria natureza espiritual. Nós estamos sofrendo simplesmente por termos nos esquecido de Krishna e da bem-aventurada situação da morada do Senhor. Se aceitarmos o Senhor como protetor e abrigo e cumprirmos Sua ordem, poderemos facilmente reviver nossa natureza eterna e bem-aventurada como partes integrantes da Personalidade de Deus. Foi para este propósito que o Senhor criou a vida humana.

A perfeição máxima

-Deve-se compreender, prosseguiu o brãhmana, que após muitos e muitos nascimentos e mortes alcança-se a rara forma humana de vida que, embora temporária, proporciona ao indivíduo a oportunidade de alcançar a perfeição máxima. Por conseguinte, um ser humano de inteligência sóbria deve esforçar-se imediatamente para obter a perfeição última da vida e não deve cair no ciclo de repetidos nascimentos e mortes. Afinal de contas, o gozo dos sentidos é disponível mesmo nas espécies de vida mais abomináveis, ao passo que a consciência de Krishna só é possível para um ser humano.

Vida material, em essência, significa repetidos nascimentos e mortes. Mesmo nas formas mais baixas de vida, tais como as dos répteis, insetos, porcos e cães, há ampla oportunidade de gozo dos sentidos. Mesmo moscas domésticas ordinárias ocupam-se em vida sexual constante, e por isso multiplicam-se rapidamente. A vida humana, contudo, capacita-nos a compreender a Verdade Absoluta e por isso a vida humana é plena de graves responsabilidades. Devemos lembrar-nos, contudo, que a valiosa vida humana é eterna. Portanto, durante esta vida, devemos fazer o necessário para atingir a perfeição máxima, a consciência de Krishna. Antes do momento da morte, devemos considerar com seriedade o nosso verdadeiro interesse pessoal. Verdadeira felicidade significa ocupar-se no serviço à Verdade Absoluta, esta é a real necessidade do ser humano.

Aprendendo com o guru fidedigno

Depois, o brãhmana avadhuta falou o seguinte:

- Assim, tendo aprendido tudo isso com meus mestres espirituais, mantenho-me fixo na Suprema Personalidade de Deus, e vagueio pela terra sem apego nem falso ego, inteiramente desapegado e iluminado pelo conhecimento espiritual compreendido na prática.

Entende-se comumente que se deve aceitar apenas um mestre espiritual, porém, nosso verdadeiro mestre dará instruções sobre muitos setores de conhecimento, tomando auxílio ou adquirindo lições de muitas coisas comuns. Como foi exemplificado pelo brãhmana avadhuta, podemos nutrir e fortificar os ensinamentos que recebemos de nosso guru, e, da mesma forma, podemos evitar de transgredir as ordens dele, através da observação de coisas comuns na natureza. Portanto, não devemos receber os ensinamentos de nosso guru de forma mecânica, mas, antes, como discípulos, devemos ser pensativos, e, com nossa própria inteligência, compreender na prática o que ouvimos, observando o mundo à nossa volta. Neste sentido, podemos aceitar muitos gurus.

Se alguém recebe os ensinamentos de seu guru, mas os mantém trancados dentro de seu cérebro como um dogma teórico, não haverá realmente conhecimento pleno e rico. Portanto, se alguém quer desenvolver conhecimento estável e completo, precisa ver os ensinamentos de seu mestre espiritual em toda a parte. Uma vez que um devoto do Senhor nunca é ingrato ele há de oferecer todo o respeito a qualquer pessoa por qualquer coisa que lhe proporcione mais iluminação no seu caminho espiritual.

Deve-se compreender que entre os muitos gurus mencionados pelo brãhmana, alguns deram instruções positivas e outros deram instruções negativas. O caso de Pingalã, a prostituta, por exemplo, ou da mocinha que tirou os braceletes, constituem exemplos positivos de conduta apropriada, ao passo que a história dos pombos infortunados ou a do elefante tolo indicam coisas a serem evitadas. Em ambos os casos, nosso conhecimento espiritual se enriquece.

Iluminação do rei Yadu

Tendo assim falado ao rei Yadu, e aceitando reverências e adoração do rei, o brãhmana sentiu-se satisfeito interiormente e, despedindo-se, partiu exatamente como havia vindo.

Após ouvir as palavras do avadhuta brãhmana, o rei Yadu, que é o antepassado dos ancestrais do Senhor Krishna, libertou-se de todo o apego material, e deste modo sua mente fixou-se uniformemente na plataforma espiritual. Foi assim que o rei Yadu foi iluminado por aquele santo brãhmana que lhe ensinou a libertar-se do apego material e a fixar sua consciência na plataforma espiritual através da simples observação da criação de Deus.

 

 

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