Receita de Viver

Adolpho Bloch

Fiz uma vez uma receita de viver...

Viver é expandir, iluminar. Viver e derrubar barreiras entre os homens e o mundo. Compreender. Saber que, muitas vezes nossa jaula somos nós mesmos, que vivemos polindo as nossas grades, ao invés delas nos libertar-mos.

Procuro descobrir nos outros sua dimensão universal, única. Sou coletivo. Tenho o mundo dentro de mim. Um profundo respeito humano. Uma enorme respeito à vida acredito nos homens. Até nos vigaristas. Procuro desenvolver um sentido de identificação com o resto da humanidade. Não nado em piscina se tenho o mar. Por respeitar cada ser humano, em todos os cantos da terra, e por gostar de gente - gostar de gostar - é que encontra em cada indivíduo o reflexo do universo.

As pessoas chamam de amor ao amor-próprio. Chamam de amor ao sexo. Chamam de amor a uma porção de coisas que não são amor. Enquanto a humanidade não definir o amor, enquanto não perceber que o amor é algo que independe da posse, do egocentrismo, da planificação, do medo de perder, da necessidade de ser correspondido, o amor não será amor.

A gente só é o que faz aos outros. Somos conseqüência dessa ação. Não fazer me deixa extenuadão.

Talvez a coisa mais importante na vida seja não vencer na vida, não se realizar. O homem deve viver se realizando. O realizado botou ponto final. Não podemos viver, permanentemente, grandes momentos. Mais podemos cultivar sua expectativa.

Acredito em milagres. Nada mais miraculoso que a realidade de cada instante. Acredito no sobrenatural. O sobrenatural seria o natural mal explicado, se o natural tivesse explicação. Enquanto o homem não marcaram um encontro consigo mesmo, verá o mundo com prisma deformada e construirá um mundo, em que a lua terá prioridade. Um mundo de mais lua que luar.

 

 

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