Bom dia Democracia

O Pensamento de Tancredo Neves

 

“União nacional, diálogo, entendimento, conciliação, trégua são nomes
de um estado de espírito que está se formando na comunidade nacional”.
Trecho do discurso de despedida de Tancredo Neves do Senado, em 1983

“O Brasil dos nossos dias não admite nem o exclusivismo do governo nem da oposição.
Governo e oposição, acima dos seus objetivos políticos, têm deveres inalienáveis com o nosso povo”.
Idem

“Se todos quisermos, dizia-nos há quase 200 anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido
de esperança, poderemos fazer deste país uma grande nação. Vamos fazê-la”.
Discurso perante o Congresso Nacional, logo após sua vitória no Colégio
Eleitoral sobre o deputado Paulo Maluf, 15 de janeiro de 1985

“Com o êxtase e o terror de haver sido o escolhido,
como diria Verlaine, entrego-me hoje ao serviço da nação”.
Idem

“Esta foi a última eleição indireta do país”.
Idem

“Ainda que o movimento de 1964 tivesse transformado a nossa pátria em um paraíso,
eu não me arrependo de lhe ter feito oposição. Para meu ideário político, o valor absoluto da
vida é a liberdade. O paraíso, se estiver cercado, será sempre o inferno”.
Ao receber o título de Personalidade do Ano, da Associação Brasileira de Propaganda, em março de 1984

“Cada governo tem a oposição que merece. A um governo duro, intransigente e intolerante
corresponde sempre uma oposição apaixonada, veemente e destrutiva”.
Do então deputado, em 1977, logo após o fechamento do Congresso Nacional
pelo presidente da República, Ernesto Geisel

“O meu MDB não é o MDB do senhor Arraes e o MDB do senhor Arraes não é o meu,
e nós dois sabemos disso há muito tempo”.
Às vésperas da reforma partidária de 1979, que desaguaria na criação do PP

“Nós somos amigos há mais de trinta anos e nos últimos dez sempre
disputamos a liderança do partido. Eu comandando os moderados e eles os radicais.
Neste momento, só eu tenho a liderança das duas alas. Mas não me arriscaria a deixar o governo de
Minas Gerais e enfrentar uma candidatura à Presidência da República se o Ulysses não me apoiasse”.
Sobre o presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, em 1984

“Não se tira o sapato antes de chegar ao rio.
Mas também ninguém chega ao Rubicão para pescar”.
Muitas vezes para amigos, políticos e colaboradores

“Podem ficar tranquilos. Vou ser presidente nos mesmos termos do marechal Deodoro:
meus ministros vão poder fazer tudo, menos o que eu não quiser que façam”.
A um grupo de parlamentares do PMDB, em março de 1985

“Nosso propósito é o de presidir um grande acordo nacional para a transformação do Brasil
num país restaurado em sua honra, em sua riqueza e em sua dignidade”.
Discurso na convenção do PMDB, em agosto de 1984,
ao ser indicado oficialmente candidato do partido à Presidência da República

“A esperança é o único patrimônio dos deserdados,
e é a ela que recorrem as nações, ao ressurgirem dos desastres históricos”.
Idem

“Até agora ele só enfrentou amadores, não enfrentou ninguém profissional”.
A um jornalista que se referiu à fama de imbatível do deputado Paulo Maluf

“O meu será um governo de centro, com tendências para a esquerda conservadora”.
Após sua escolha como primeiro-ministro do governo João Goulart, em 1961

“Nação sem Constituição oriunda do coração de seu povo é nação mutilada na sua dignidade cívica,
violentada na sua cultura e humilhada em face de sua consciência democrática”.
Ao desperdir-se do Senado, em março de 1983, para assumir o governo de Minas

“E então, vamos conversar? Mas não em sigilo. Esta é a maneira nais rápida,
eficiente e segura de se propagar por todo o país quem disse, o que e onde”.
A um grupo de jornalistas

“Não é nada disso, minha filha. Macho é hoje uma palavra unissex”.
À deputada Ruth Escobar, desculpando-se por ter dito que a
campanha eleitoral era “uma luta para machos”

“As alvoradas da liberdade não surgem como um
acontecimento natural. As manhãs da liberdade se fazem com a vigília
corajosa dos homens que exorcizam com sua fé os fantasmas da tirania”.
Ao deixar o governo de Minas Gerais, em agosto de 1984, para concorrer à presidência

“1984 foi o ano da alvorada, anunciador das grandes mudanças que deveriam começar
em 15 de março de 1985, mas que já são visíveis e profundas e enchem
de orgulho toda a sociedade brasileira”.
No artigo que escreveu para a seção Ponto de Vista da última eleição de Veja de 1984

“Partidos que renunciam à luta, que abdicam de seu dever de pelejar pela harmonia das
condições do povo, não são partido políticos. Podem ser, quando muito, um grêmio
literário ou uma confraria de São Vicente de Paula”.
Crítica à decisão do PT de não comparecer ao Colégio Eleitoral

“Por favor, me deixem em paz. Não tenho nada a dizer.
Não quero ser a Sandra Bréa do MDB”.
A um grupo de jornalistas

“A cabeça do Magalhães funciona como um terreno baldio,
onde há sempre alguém atirando alguma sujeira”.
Aborrecido com o deputado Magalhães Pinto por ele ter pregado um golpe, em 1984

“Para descansar, temos a eternidade”.
Muitas vezes, a amigos, políticos e colaboradores

“A grande decepção da minha geração é que achávamos que a democracia estava
definitivamente assegurada no país. Hoje vemos que quem tinha razão era o Otávio Mangabeira,
para quem nossa democracia era uma plantinha muito tenra”.
Numa entrevista em 1977, pregando a volta aos princípios democráticos

“É tapar o nariz com o lenço e ir ao Colégio Eleitoral,
se isso for necessário. Pode ser ruim, mas não ir pode ser péssimo”.
Em junho de 1984, quando sua candidatura indireta à Presidência da República já era fato consumado

“Para a esquerda eu não vou. Não adianta empurrar”.
Durante a reformulação partidária de 1979

“Ocupei, sem que houvesse disputado, os mais altos cargos do governo e a
oposição do meu país e os deixei empobrecido, vivendo dos meus subsídios,
reforçados com os 'papagaios' que renovo de três em três meses nos bancos amigos”.
Numa entrevista em 1979
-
“O processo ditatorial, o processo autoritário, traz consigo o germe da corrupção.
O que existe de ruim no porcesso autoritário é que ele começa desfigurando
as instituições e acaba desfigurando o caráter do cidadão”.
Discurso em 1982

“A campanha pelas diretas é necessária, porém lírica”.
Junho de 1983

“Se as esquerdas tivessem condições de mobilizar a massa humana que nós vimos na
Praça da Sé, em Curitiba e Salvador, já teriam tomado o poder neste país”.
Fevereiro de 1984

“Restaurar a democracia é restaurar a República. É edificar a Nova República,
missão que estou recebendo do povo e se transformará em realidade pela força
não apenas de um político, mas de todos os cidadãos brasileiros”.
No discurso de novembro de 1984, em Vitória, Espírito Santo, em que lançou a Nova República

“De norte a sul do Brasil, estou pregando, em praça pública, a unidade nacional.
Prego a concórdia, a cosntrução do futuro, e não me prendo aos pesadelos do passado”.
Idem

“O povo é a substância da República, como prova a raiz latina da palavra.
A República deve, pois, ser o compromisso fundamental do Estado para a solução
dos problemas do povo, o atendimento de suas necessidades básicas até de sobrevivência”.
Idem

“Podem os brasileiros estar seguros de que faremos,
com prudência e moderação, as mudanças que a República requer”.
Idem

“Então, como foi? O Sarney tomou posse? Correu tudo bem?”
Dia 15 de março de 1985, ao sair da anestesia da primeira cirurgia

“Rezem por mim”.
Antes de ser anestesiado para a segunda cirurgia

“Preciso não, eu devo sarar”.
Aos médicos, recuperando-se da segunda cirurgia

“Mas, doutor, eu estava tão bem ontem, tirei até fotos, e agora estou aqui?”
Ao chegar ao Instituto do Coração, em São Paulo, para novos exames

“Não pode ser depois? Estou tão cansado”.
Ao ser informado de que seria submetido à terceira operação

“Nós vamos vencer mais essa”.
À dona Risoleta, antes da terceira operação

“Se é necessário, vamos lá. Vamos acabar logo com isso”.
Aos médicos, quando foi avisado da quarta cirurgia

“Eu não merecia isso”.
Ao neto Aécio, indo para a sexta operação


 

 

Voltar